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Três Lagoas
sábado, 21 de março de 2026

Opinião – Roberto Franco

08/09/2005 08h37 – Atualizado em 08/09/2005 08h37

Econg

MORTES EM CURTUME DE TRES LAGOAS; RETRATO DO DESCASO PUBLICO E FALTA DE CAPACITAÇÃO EMPRESARIAL DA REGIAOLamentar a morte de trabalhadores em empreendimentos na regiao é inútil. E é hipocrisia quando estes lamentos parte de quem deveria estar ativo para coibir a exploração da mão de obra, que alem de barata, é pela dificuldade de se obter um emprego, um chamariz para serviços de alta periculosidade. Nestes cinco anos de trabalho com a Econg, nunca vimos nenhum empresário admitir culpa por morte ou mutilação e não vimos qualquer órgão publico, punir com seriedade empresas, que produzem fora da legislação trabalhista, social e ambiental.As mortes e acidentes graves é comum em nossa regiao e não só em curtumes, mas, nas indústrias de reciclagem, frigoríficos, construção civil, fazendas, carvoarias, transportes, corte da cana, eucaliptos, usinas de álcool, e outras tantas atividades. Temos nos arquivos da Econg, colecionado fatos tristes como este que aconteceu recentemente em Três Lagoas, são matérias da imprensa regional, rádios, jornais, e televisão, e em nenhuma deles, os verdadeiros culpados foram punidos pelos acidentes, sempre coube a culpa aos trabalhadores, é provável que na opinião dos empreendedores, os trabalhadores busquem o suicídio, ou gostem de andar por ai em cadeiras de rodas, sem mãos, pés, braços,etc.O que existe mesmo – e para constatar isso, não precisa ser nenhum órgão especializado, – é que na maioria das atividades empresariais de Andradina, Castilho,Três Lagoas, Brasilandia,Ilha Solteira, Pereira Barreto, Dracena, Itapura, e tantos outros, o poder publico quando não é omisso, é conivente ou é propositalmente desestruturado e assim sobrecarregado, para fiscalizar e ou incentivar a capacitação de trabalhadores e principalmente a capacitação social de muitos empreendedores.Lamentar a desgraça permanente que tira a vida e culpar os próprios trabalhadores é muito cômodo, principalmente quando se sabe que esta violência é proposital e economicamente planejada, a maioria dos empreendedores odeia investir na segurança, no meio ambiente saudável de sua empresa, na saúde do trabalhador e exercem suas atividades de forma descaradamente ilegal em termos de qualquer legislação, visando única e exclusivamente o lucro fácil e imediato. Ora, é mais fácil preparar um grupinho de “relações publicas” que falam pelas empresas, do que cumprir a lei seja no aspecto social, trabalhista e ambiental, pois custa menos formar relações publicas de operetas. Mas, a maior responsabilidade é dos órgãos publicos, municipais, estaduais e federais, que não exercem sua função conforme determina a lei e não buscam estruturas físicas ou políticas para coibir estes descalabros. Nos já vimos trabalhadores serem expelidos por canos de esgotos, serem afixiados com gás venenosos ( estes de Três Lagoas não foram os primeiros e nem serão os últimos,), enterrados por maquinas de terraplanagem, caírem dentro de tanques de ácidos, perderem a vida em transporte inadequados para o trabalho, afogados, queimados, caírem de andaimes, e nunca vimos os responsáveis por isso serem punidos, a não ser quando se trata dos coitados micro-empresários.Meio ambiente não é só matas e rios, meio ambiente é local de trabalho seguro, saudável, adequado, construído em conjunto a uma educação e capacitação permanente, sem insalubridade ou periculosidade exacerbada. O resto é lamentação tardia e inútil, é uma pena, mas a história se repetirá… afinal como dizia um já falecido cantor de rock nacional, “é sempre mais fácil dizer que a culpa é do outro”.*Roberto Franco-Secretário Executivo-Econg Regional-RG: 8.354.710-1-SSP/SP

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