13/05/2003 08h09 – Atualizado em 13/05/2003 08h09
BRASÍLIA — Cientistas brasileiros estão trabalhando no projeto internacional de um satélite que destinado a pesquisar novos planetas com as mesmas características da Terra.
A participação brasileira inclui o trabalho científico destinado à construção do satélite, a operação de uma das bases de recepção de dados e o desenvolvimento de software para o controle e tratamento dos dados enviados pelo aparelho.
O projeto, iniciado em 2001, conta com a participação da França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Itália e da Agência Espacial Européia.
Batizado de Corot, o satélite deve estar concluído em 2004 e seu lançamento está previsto para o início de 2005, na Guiana, região norte da América do Sul.
Capaz de medir as variações de luz das estrelas com uma precisão nunca antes atingida, o Corot vai incrementar os estudos na área de sismologia estrelar e vai possibilitar a busca dos chamados exoplanetas externos ao nosso sistema solar.
“Pela primeira vez na história da humanidade serão descobertos outros planetas sólidos, pequenos e constituídos de minerais, como a Terra”, disse Eduardo Janot Pacheco, professor associado do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP).
Coordenador da participação brasileira no projeto, Janot informa que o Corot terá duas bases para recepção de dados, uma na Espanha e outra na estação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Natal, no estado do Rio Grande do Norte.
“Com a base brasileira, a capacidade de observação do satélite aumenta em 50 por cento”, explicou o coordenador.
Além de disponibilizar a base, os pesquisadores brasileiros serão responsáveis pelo desenvolvimento de software para controle e tratamento dos dados enviados pelo satélite.
Para tal, uma equipe de seis cientistas e engenheiros da Escola Politécnica da USP, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Inpe, passará dois anos na França acompanhando o desenvolvimento do projeto.
Várias instituições de ensino e pesquisa do Brasil participaram do trabalho cientifico prévio para a construção do Corot, entre elas, o Observatório Nacional do Rio de Janeiro, a USP, o Inpe, a Universidade Mackenzie e outras universidades federais.
Segundo Janot, “por meio de medidas fotométricas precisas, o Corot poderá realizar observações, em outros sistemas, de estrelas com as mesmas características do Sol”.
“O satélite também será capaz de estudar os terremotos das estrelas (estelemotos), o que nos permitirá saber como são suas estruturas”, explicou.
Janot prevê que cerca de 60 mil estrelas poderão ser estudadas a partir da entrada do Corot em órbita.
“Será possível, inclusive, estabelecer com mais precisão a evolução do Sol, uma vez que o satélite viabilizará o estudo de estrelas gigantes”, disse.
(Com informações da Agência Brasil)





