13/05/2003 13h56 – Atualizado em 13/05/2003 13h56
NAJAF (CNN) — O aiatolá Mohammed Baqir al-Hakim, líder do Supremo Conselho para a Revolução Islâmica no Iraque, o maior grupo muçulmano xiita do país, pediu nesta terça-feira a instalação de um governo democrático, que represente as diversas etnias e comunidades religiosas iraquianas.
Al-Hakim disse que sua organização não quer um governo secular, porque “este não respeita religião”, mas sim “um governo democrático que respeite o Islã”.
Al-Hakim retornou ao Iraque no sábado passado, após 23 anos no exílio.
Os Estados Unidos temem que o aiatolá exerça pressão em favor da instalação de uma teocracia similar à do Irã.
Os muçulmanos xiitas correspondem à maioria da população do Iraque e eram oprimidos durante o regime de Saddam Hussein.
Al-Hakim tem uma grande influência sobre os xiitas, e já exortou reiteradas vezes as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos a deixar o Iraque.
No sábado, em um discurso para uma grande multidão, Al-Hakim argumentou em favor de um sistema “islâmico moderno” para o Iraque.
“Nós desejamos um Estado islâmico porque somos islâmicos”, observou, nesta terça-feira.
O aiatolá também pediu a proteção das liberdades, a criação de partidos políticos e “uma imprensa livre”.
Um governo nacional iraquiano “deveria ter sido estabelecido imediatamente após a queda de Saddam”, acrescentou.
Apesar de favorável à deposição de Saddam, o Supremo Conselho xiita não apoiou a guerra por acreditar que seu resultado poderia “ser alcançado por outros métodos”, argumentou.
O grupo ainda considera que a campanha militar “foi um erro”, e teme uma “convulsão social” no Iraque.





