13/05/2003 15h37 – Atualizado em 13/05/2003 15h37
Em Campo Grande, afro-descendentes da comunidade São Benedito, Filhos de Tia Eva, ainda refletem marcas da desigualdade social e progressivamente lutam para mudar esse quadro. O data de hoje, dia 13 de maio, dia da Abolição da Escravatura, lembra a luta dos povos negros pela colocação social e que pode ser acompanhada de perto na comunidade. O vice-presidente da Associação, Eurídes Antônio da Silva, o “Bolinho”, conta que as oportunidades estão chegando timidamente mas em uma tendência crescente. Através de um trabalho desenvolvido em parceria com o TEZ (Grupo de Trabalho e Estudos Zumbi) foram desenvolvidas as aulas para curso pré-vestibular e paralelo a isso iniciativas de capacitação em cursos esporádicos, como o de informática.
Outro salto que Bolinho reforça foi a implantação de uma escola no próprio bairro, com uma grade que contempla também os costumes da comunidade afro-descendente. Mas o grande destaque é para o projeto que busca uma oportunidade para alunos da comunidade na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e, através do qual, hoje 13 acadêmicos recebem ajuda de custo da Fundação Ford.
Apesar desses avanços, Bolinho, que também é militante do movimento negro, afirma que ainda há muito o que conquistar na própria comunidade, hoje com 70 famílias vivendo no local. Em várias delas, afirma, os chefes de família estão desempregados e os que conseguem algum emprego trabalham na informalidade, pegando bicos em obras ou como empregada doméstica, no caso das mulheres. Hoje, segundo dados do IBGE, existem em Mato Grosso do Sul 71.139 pessoas que se declararam de cor preta. Porém, lembra Bolinho, muitos negros e afro-descendentes se declaram pardos, e os movimentos estimam que esse público possa chegar a 40% da população do Estado.




