12/05/2003 15h06 – Atualizado em 12/05/2003 15h06
BEIRUTE — Dezenas de milhares de muçulmanos xiitas saudaram a passagem do comboio do presidente do Irã, Mohammad Khatami, pelas ruas de Beirute, nesta segunda-feira, na primeira visita de um chefe de governo iraniano ao Líbano.
As visitas de Khatami ao Líbano e à Síria, nesta semana, acontecem no momento em que os Estados Unidos observam se Teerã e Damasco ajudarão ou obstruirão seus esforços de reconstrução no Iraque.
Khatami foi recebido no aeroporto de Beirute pelo presidente libanês, Emile Lahoud, o primeiro-ministro, Rafik Hariri, integrantes do Gabinete e o xeque Naim Kassem, vice-líder do Hezbollah – o principal grupo militante xiita no Líbano.
O Irã, um país de maioria xiita, apóia financeiramente o Hezbollah, que se envolve periodicamente em choques armados com Israel, através da fronteira libanesa, e está na lista dos Estados Unidas de organizações terroristas.
A inclusão de um representante do Hezbollah na recepção a Khatami indica uma aceitação do grupo no cenário político, segundo observadores locais.
Os xiitas formam a maior comunidade no Líbano, perfazendo cerca de 1,2 milhão dos 3,5 milhões de habitantes. O Hezbollah e o partido Amal haviam exortado seus simpatizantes a saudar Khatami.
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, conversou sobre o Hezbollah quando se encontrou com o presidente sírio, Bashar Assad, em 3 de maio, em Damasco.
A Síria reconhece que dá apoio político ao Hezbollah, mas nega facilitar o fornecimento de armas ao grupo.
Em um comentário publicado no jornal libanês As-Safir, nesta segunda-feira, Khatami disse que as tropas norte-americanas e britânicas deveriam retirar-se imediatamente do Iraque e permitir a “formação de um governo popular”.
Khatami acredita que as forças da coalizão sofreram uma derrota moral no Iraque.
“O maior erro será se as forças invasoras tentarem impor ao povo (iraquiano) um sistema que é imoral e estrangeiro”, alertou.
O presidente afirmou que o povo norte-americano “não pode permitir que um grupo especial, com idéias falsas e formas perigosas de operar, use o poderio nacional para preservar seus interesses privados”.
(Com informações da Associated Press)





