24/03/2003 14h37 – Atualizado em 24/03/2003 14h37
Um exemplo de resistência, que deve ser seguido por todo o Mundo Árabe. Foi assim que o ministro líbio Ali Triki definiu a resistência iraquiana na guerra contra os Estados Unidos, no encontro da Liga Árabe, que acontece nesta segunda-feira no Cairo.
Segundo Triki, os iraquianos são um exemplo de heroismo e sua luta deve servir de exemplo para a população árabe, que hoje é vítima de preconceito e arrogância.
“Se os Estados Unidos vencerem essa guerra, é possível que eles queiram ocupar todo o Mundo Árabe”, afirmou Triki.
A abertura da reunião ficou a cargo de Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe, que disse esperar que os países árabes cheguem a uma conclusão comum contra a guerra no Iraque. A primeira polêmica coube ao Ministro das Relações Exteriores do Qatar, Jasim Bin Hamed, que foi embora do encontro.
Democraria e liberdade
Segundo Hamed, o fato de ele ter ido embora não foi um boicote ao encontro, mas sim uma forma de mostrar o seu descontentamento com “o usual discurso árabe” que, segundo ele, deveria se concentrar em discussões mais práticas e não em ataques aos Estados Unidos.
“Mas, apesar de decepcionado, estou deixando um representante no encontro. Espero que a partir dele possamos ajudar os iraquianos”, disse o ministro.
O Qatar é um dos principais aliados americanos no Golfo Pérsico, sediando as bases e o comando central das Forças Armadas dos Estados Unidos.
Países mais críticos em relação à postura americana, como a Síria, mostraram o seu descontentamento com a guerra.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Butheina Shaban, disse que espera que os países árabes cheguem a um consenso.
Segundo ela, a Síria espera conseguir uma posição única contra a guerra no Iraque dos representantes dos países árabes.
“Podemos ter uma posição mais unificada do que se imagina”, disse a porta-voz, que é uma das principais conselheiras do presidente sírio.
Shaban disse ainda que os países que não representarem os interesses dos países árabes contra a guerra terão o que merecem de suas populações.
“Os países árabes que apóiam agressões contra o povo árabe terão que enfrentar as suas populações um dia”, afirmou a ministra. “Eu me baseio no princípio de que cabe aos povos mudar os seus governos “, acrescentou.
A porta-voz, no entanto, especulou sobre a possibilidade de não haver uma posição conjunta contrária à guerra.
De acordo com analistas, essa posição comum pode não acontecer devido à dependência que muitos governos árabes têm do dinheiro americano.
“Não vamos perder o nosso prestígio e vamos continuar lutando por um consenso”, disse Shaban.
A porta-voz criticou ainda o discurso do governo americano de que está levando democracia e liberdade para o Iraque.
“Cinco sírios foram mortos na guerra, crianças iraquianas estão sendo assassinadas. De que adianta levar democarcia e liberdade se as pessoas estão morrendo?”, questinou a ministra.
ONU
O ministro do Exterior do Líbano cobrou mais ajuda da ONU (Organização das Nações Unidas) para a solução da crise. “A ONU deve agir contra o confronto e assumir a responsabilidade por ele”, disse Mohammed Ahammoud.
O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri, deve durante o encontro pedir o apoio dos países árabes para “resistir à invasão americana”, como a guerra é definida pelo governo iraquiano.
O encontro dos ministros da Liga Árabe tem, para o Iraque, o objetivo de conseguir uma “coalizão internacional de oposição à guerra”.
“Nós estamos combatendo o inimigo, que será enterrado nos desertos do Iraque”, afirmou Sabri antes do encontro, lembrando que os iraquianos continuarão tendo como alvo as bases militares americanas no Kuwait.




