18/10/2002 09h48 – Atualizado em 18/10/2002 09h48
SÃO PAULO – O Departamento de Narcóticos (Denarc) prendeu 52 pessoas acusadas de vender drogas em escolas da Capital e da Grande São Paulo. As prisões fazem parte da Operação Escola Segura, implantada em março e que já prendeu 194 traficantes especializados em vender drogas para estudantes.
A operação começou quarta-feira e terminou na tarde de ontem. Entre os 52 acusados, estão 18 mulheres e três adolescentes. Segundo o diretor do Denarc, delegado Ivaney Cayres de Sousa, as investigações se concentraram em 105 escolas da Capital, da Grande São Paulo e uma em Jundiaí, no Interior.
- Todos os locais foram mapeados pelo Departamento de Inteligência. Cada escola tem sua particularidade e os métodos de venda de drogas foram previamente estudados antes das prisões – disse.
As investigações apuraram que houve uma mudança com relação as escolas mais visadas por traficantes. Se antes, a região de São Mateus, Zona Leste, e Santo Amaro, Zona Sul, eram as mais preocupantes por causa do alto índice de prisões, hoje é a área central da Capital que é considerada a mais crítica.
- A situação se reflete nas prisões dessa operação, que se concentrou na região central – comentou Cayres de Sousa.
Segundo o diretor do Denarc, os bandidos que vendem drogas nas escolas são considerados microtraficantes.
- Não têm um padrão definido de ação. Uns quebram muros de escola para vender as drogas, outros costumam usar crianças e mulheres, e até chegam a esconder as drogas nos próprios carros -explicou.
As investigações do Denarc apuraram que adolescentes entre 12 e 18 anos são o alvo principal dos microtraficantes nas escolas. A maconha é a droga mais consumida, seguida pela cocaína e o crack.
- Todas as drogas são batizadas (misturadas com outras substâncias) antes de serem vendidas. No caso da cocaína, isso é feito de maneira mais intensa. Existem traficantes que já compram xilocaína e dipirona misturadas à cocaína, pois as duas substâncias causam sintomas semelhantes ao da cocaína, como a taquicardia e a sensação de dormência – explicou o delegado, que notou o aumento da participação de mulheres no tráfico de drogas, onde participam diretamente na compra e venda de drogas.
Fonte: Diário de S.Paulo





