17/10/2002 08h54 – Atualizado em 17/10/2002 08h54
A análise de uma estrela muito próxima ao coração da Via Láctea confirma: existe mesmo ali um buraco negro colossal. O anúncio foi feito nesta quarta-feira por astrônomos europeus.
A estrela passa a apenas 17 horas-luz de uma fonte de radiação compacta conhecida como Sagitário A e leva 15,2 anos para completar sua órbita oval.
O tipo de órbita significa que toda a massa do objeto, algo entre 2,6 milhões e 3,7 milhões maior do que o Sol, está abarrotada em um espaço três vezes maior do que nosso sistema solar.
Essa surpreendente densidade poderia resultar apenas de um buraco negro supermaciço, segundo o físico Rainer Schoedel, que publicou, juntamente com seus colegas de pesquisa, as conclusões na revista Nature desta semana.
“Podemos agora dizer, com segurança, que existe mesmo um buraco negro no centro de nossa galáxia”, escreveu Schoedel, que trabalha no Instituto Max Planch para Astrofísica, na cidade alemã de Garching.
Cientistas suspeitavam que o centro galáctico abrigava um buraco negro, mas não descartavam outras explicações para a fonte de radiação da Sagitário A, como uma nuvem densa de poeira estrelar ou material estrelar a uns poucos anos-luz de distância.
A base para essa conclusão está localizada na fonte de emissões intensas de energia em uma envergadura de 17 horas-luz – a distância que a luz percorre em 17 horas.
“Nenhum acontecimento como esse foi relatado antes”, afirmou o Observatório Europeu Austral (ESO), que administra alguns dos telescópios internacionais usados no estudo.
Os astrônomos descobriram que a estrela central está se deslocando em torno de Sagitário A “como a Terra orbita o Sol”, acrescentou o consórcio ESO.
Schoedel e seus colegas, que analisaram imagens de alta resolução feitas da estrela durante um período de 10 anos, disseram que uma estimativa mais precisa da massa do buraco negro será possível com novas observações.
O trabalho tem “implicações importantes para a compreensão de como nosso buraco negro se compara àqueles do centro de outras galáxias”, comentou o astrônomo Karl Gebhardt, da Universidade do Texas, em Austin.
Geralmente formados em virtude do colapso de grandes estrelas, os buracos negros podem ser descritos como pontos onde há tanta concentração de massa que nada pode escapar, nem mesmo a luz.
Fonte: CNN





