17/10/2002 09h41 – Atualizado em 17/10/2002 09h41
WASHINGTON – Em uma revelação que abre a possibilidade de uma nova crise na Ásia, a Coréia do Norte admitiu possuir um secreto e ativo programa de armas nucleares, em uma clara violação ao tratado assinado em 1994 durante o governo de Bill Clinton, disseram funcionários americanos na noite desta quarta-feira.
No começo deste mês, durante a visita de uma delegação americana à Coréia do Norte, o secretário de Estado adjunto para o Extremo Oriente e o Pacífico, James Kelly, apresentou documentos reunidos pela inteligência dos EUA sobre atividades nucleares de Pyongyang a dois funcionários norte-coreanos, entre eles Kang Suk Ju – tido com o braço-direito do líder Kim Jong Il.
Confissão e surpresa – A princípio, Suk Ju refutou as acusações, mas, por fim, admitiu a existência do programa secreto envolvendo urânio enriquecido, disse uma fonte.
Segundo fontes da rede de notícias CNN, o secretário americano ficou surpreso com a revelação do funcionário, feita no último dia 4 de outubro.
- O seu presidente nós chamou de parte de um eixo do mal, suas tropas foram deslocadas para a península coreana… claro, que nós temos um programa nuclear – disse o norte-coreano, de acordo com a fonte que teria sido informada sobre a reunião.
De acordo com a inteligência americana, há indícios de que o programa norte-coreano foi lançado no final da década de 1990, depois de Pyongyang ter assinado um acordo com EUA, Japão e Coréia do Sul se comprometendo a cessar sua programa de armas nucleares.
Bush estuda o que fazer – Um dos funcionários americanos disse que o governo Bush acredita que as atividades da Coréia do Norte document.write Chr(39)anulam o acordo de 1994document.write Chr(39), pelo qual Pyongyang se comprometeu a congelar seu programa de armas nucleares e de mísseis balísticos. Segundo fontes, o governo Bush está em consultas com o Congresso e países aliados para determinar que atitude tomar.
O ministro interino do Exterior da Coréia do Sul, Lee Tae-sik, conclamou o governo da Coréia do Norte a respeitar os protocolos internacionais que dispõem sobre armas nucleares.
- É claramente um programa que teria fornecido material que poderia ter sido usado em armas nucleares – disse uma fonte.
No entanto, os funcionários em Washington indicaram que o governo Bush está realizando consultas com o Congresso e com aliados e ainda não tomou qualquer decisão sobre o que fazer. A Coréia do Norte tem dado passos para aproximar-se da comunidade internacional, da qual esteve isolada durante décadas.
Bush começou seu mandato em 2001 bem mais cético sobre Pyongyang do que seu antecessor na Casa Branca, mas, embora a linha-dura de seu governo tenha procurado motivos para denunciar o acordo de 1994, analistas acreditam que Washington será obrigado a manter um canal de conversação aberto com a Coréia do Norte
document.write Chr(39)Eixo do maldocument.write Chr(39) – No entanto, a revelação torna-se mais um desafio à diplomacia americana no momento em que Washington tenta arrebanhar apoio internacional para desarmar o Iraque, em um esforço que pode terminar em uma possível guerra, e manter-se firme na guerra ao terrorismo internacional. Surge ainda a pergunta: Pyongyang aceitaria ser inspecionado por enviados da ONU a exemplo do que aconteceu com o Iraque?
Em janeiro passado, Bush acusou a Coréia do Norte, o Iraque e o Irã de formarem um document.write Chr(39)eixo do maldocument.write Chr(39), acusando esses países de desenvolverem armas de destruição e apoiarem grupos terroristas.
Bush e os líderes do Japão e da Coréia têm uma reunião marcada para o fim deste mês no encontro anual dos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático.
Fonte: GloboNews



