16/10/2002 16h15 – Atualizado em 16/10/2002 16h15
O mercado de câmbio teve novo dia de volatilidade, além de uma boa dose de frustração. O dólar comercial fechou cotado a R$ 3,915 na compra e R$ 3,920 na venda, perto da máxima do dia, com alta de 1,95%. A pressão foi causada, essencialmente, pela proximidade do vencimento de uma dívida de US$ 3,6 bilhões, amanhã. Já a frustração ficou por conta da expectativa de queda das cotações no período da tarde, com ajustes dos bancos a normas do Banco Central.
- O dólar não se comportou conforme o esperado, o que nos leva a concluir que a situação é mais séria do que se previa – disse Sérgio Machado, diretor-executivo do Banco Fator.
Da dívida de US$ 3,6 bilhões a ser resgatada amanhã, o Banco Central (BC) conseguiu renegociar 61,6%. Com isso, a sobra de recursos sem renegociação fica em US$ 1,38 bilhão. Os investidores puxaram as cotações do dólar pela manhã, nos períodos de maior volume de negócios. O objetivo era pressionar a Ptax de hoje e conseguir melhor remuneração no resgate da dívida.
A Ptax é uma média diária do dólar, que leve em conta os volumes negociados. Ela serve como referência para remunerar as dívidas públicas cambiais e os contratos de câmbio no mercado futuro, entre outras coisas. A Ptax de hoje vai remunerar os vencimentos de amanhã.
O Banco Central vendeu dólares às instituições financeiras, sem conseguir frear as cotações. Segundo operadores, a autoridade monetária não chegou a vender quantidades expressivas, como fez em vencimentos anteriores. Mas a pressão não ficou restrita ao período da manhã.
À tarde, os investidores continuaram pressionando o dólar, contrariando a expectativa do início do dia. A expectativa era de que as ofertas de moeda aumentassem, já que amanhã os bancos deverão estar enquadrados na nova margem de exposição cambial imposta pelo BC. A partir desta quinta, os bancos só poderão expor até 30% do seu patrimônio aos bancos.
- Esses ajustes provavelmente foram feitos entre os próprios bancos, com troca de posições. É por isso que o dólar não caiu. Com isso, o dia terminou com um gosto amargo – disse Sergio Machado.
Já na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), as taxas de juros futuros recuaram, num sinal de estabilização depois de dois dias de fortes ajustes. O Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro, o mais negociado, recuou de 25,60% para 24,69% ao ano.
Fonte: Globo News





