15/10/2002 08h32 – Atualizado em 15/10/2002 08h32
O dólar abriu hoje em baixa de 0,38%, cotado a R$ 3,835 para venda, e sob a pressão do vencimento de US$ 3,6 bilhões em títulos e contratos cambiais depois de amanhã.
O Banco Central, que já alongou ou resgatou antecipadamente 53,5% dessa dívida, hoje vai ofertar mais contratos de curtíssimo prazo ao mercado para tentar alongar mais US$ 500 milhões do vencimento.
Mas diferente do que ocorreu nas duas últimas operações, os contratos ofertados vencem em dezembro, e não em novembro. Ontem, quando usou os contratos para novembro, o BC sequer divulgou a taxa de remuneração, muito alta, por considerá-la distorcida pela curta vigência dos papéis.
O dólar ontem fechou a R$ 3,85 e manteve a trajetória de alta apesar do aumento nas taxas de juros decretado pelo BC, que ficou agora a taxa básica em 21% ao ano.
Embora muitos analistas apostassem em um choque de juros para baixar o dólar – a alta então teria que ser muito maior, a ponto de tornar os títulos do governo um investimento mais atraente e impedir a migração para o câmbio – a decisão foi tomada muito mais para conter a inflação.
Juros mais altos deixam o crédito mais caro, e acabam inibindo o consumo – o que dá menos espaço para os preços subirem, já que as pessoas terão menos dinheiro para comprar.
Entretanto, a opinião consensual dos analistas é de que os efeitos das medidas só poderão ser sentidos a partir de quinta-feira, após o vencimento da dívida. Até lá, a trajetória continua a ser de alta, com aqueles que terão que receber do governo depois de amanhã buscando um dólar mais caro, para aumentar seu ganho em reais.
Fonte: Folha Online






