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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Lula e Serra terão o mesmo número de aliados

09/10/2002 08h09 – Atualizado em 09/10/2002 08h09

Seja qual for o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB) deverão começar o ano que vem com a mesma base de apoio na Câmara: 193 deputados. Somados aos deputados eleitos pela aliança que o apóia, Lula contaria com a adesão de PDT, PPS, PSB e PV no governo. Com isso, iniciaria o mandato com uma base de sustentação de 193 deputados. Serra, por sua vez, teria já de início o apoio do PPB. Como peemedebistas e tucanos elegeram 145 deputados para a próxima Legislatura, ele também contaria com uma base inicial de 193. A esse bloco, poderia se juntar o PFL. Mas com as restrições de Roseana Sarney e Antonio Carlos Magalhães a Serra, o partido acabaria rachado — dificilmente, todos 84 parlamentares migrariam para o ninho tucano.

— O PFL corre sério risco de ruir no ano que vem. Com Lula eleito, parte do PFL corre para o PL. Com Serra eleito, racha — prevê Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação e analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Os pefelistas têm a mesma preocupação. E é por isso que hoje, na reunião da Executiva Nacional do partido, discutirão o modelo de oposição ao governo Lula. Segundo o líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), o PFL tem que trabalhar com a hipótese de apoiar propostas que sejam de interesse nacional:

— Na hipótese de vitória do PT, temos que fazer oposição a Lula. Não ao Brasil.

No total, as alianças de apoio a Lula e Serra elegeram, praticamente, o mesmo número de deputados. Mas, apesar do surpreendente crescimento do PT — de 58 para 91 deputados — a aliança de apoio a Lula elegeu um número menor de deputados. PT (91), PL (26), PCdoB (12) e PMN (1) conquistaram, juntos, 130 cadeiras.

Apesar da redução no número de cadeiras no ano que vem, as bancadas do PSDB (71) e do PMDB (74) têm 15 deputados a mais: 145. Ainda assim, os dois partidos foram, junto com o PFL, os que mais perderam na Câmara de Deputados. A bancada do PSDB caiu dos atuais 94 para 71 no ano que vem, um emagrecimento de 23 deputados. A do PMDB perdeu 13 deputados e a do PFL, 14.

Os líderes de partidos de oposição, porém, já manifestaram disposição de compor com o PT na Câmara.

— Essa é a tendência — diz o líder do PDT, Miro Teixeira.

O PPB, por sua vez, deverá se aliar a Serra já para o segundo turno. No primeiro, isso só não ocorreu porque a verticalização impediria a candidatura de Paulo Maluf (PPB) contra Geraldo Alckmin em São Paulo, além de reproduzir o mesmo problema em Santa Catarina.

Tanto Serra quanto Lula terão que negociar pontualmente suas propostas no Congresso. Segundo cálculos do Diap, a renovação na Câmara de Deputados foi de 47% nesta eleição. Dos 407 deputados que disputaram uma cadeira na Casa, 268 foram reeleitos. Outros 245 são novos na Câmara.

No Senado, o índice de reeleição foi bem menor. Para as 54 vagas em disputa, 34 senadores tentaram a reeleição. Mas apenas 14 conseguiram voltar ao Senado. Ou seja, em relação às vagas em disputa, a renovação chega a 74%. No universo total de senadores (81), os 40 novos senadores representam pouco menos de 50% da Casa.

Fonte: Jornal O Globo

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