09/10/2002 16h14 – Atualizado em 09/10/2002 16h14
A quarta-feira é de poucas notícias e os investidores se mostram apreensivos com o cenário eleitoral e com as dívidas do setor público e privado que devem manter o dólar pressionado neste mês. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reduziu o ritmo, mas ainda se mantém em queda nos negócios desta tarde. Às 15h43m, o Índice Bovespa tinha 8.763 pontos, com baixa de 0,93%. O volume financeiro era de R$ 264,5 milhões, considerado baixo para o período. O pessimismo continua presente no mercado interbancário de câmbio, onde a tarde é de negócios reduzidos e pressão compradora sobre o dólar. Às 16h06m, a moeda americana era trocada por R$ 3,86 na compra e R$ 3,87 na venda, com valorização de 3,75%.
Os investidores se mostram apreensivos diante da grande quantidade de vencimentos de dívida pública e privada que devem continuar pressionando o dólar nos próximos dias, em meio à turbulência causada pelo clima de eleição presidencial.
O principal vencimento é de US$ 3,6 bilhões no dia 17, dos quais o Banco Central (BC) renovou 16,4% em leilões realizados ontem. Na semana seguinte há uma outra dívida, de mais US$ 1,1 bilhão. A expectativa do mercado é que o BC não conseguirá rolar a totalidade das dívidas, fato que levaria os investidores a pressionar as cotações do dólar, com o objetivo de maximizar os ganhos no resgate das dívidas.
No setor privado, as dívidas até o fim do mês estão em cerca de US$ 2 bilhões. Somente nesta semana são US$ 800 milhões, segundo cálculos do analista Hélio Osaki, da corretora Finambrás. Com isso, o dólar deve continuar demandado e dificilmente recuará até o segundo turno das eleições, estimam os analistas.
Além disso, o mercado vê com ceticismo a possibilidade de eficácia da nova medida imposta pelo BC nas operações com câmbio. O BC elevou de 50% para 75% a exigência de capital próprio nas posições em dólar. Segundo analistas, os grandes bancos já vinham operando em patamares semelhantes e não terão de vender dólares excedentes, como se imaginou inicialmente. O ajuste, que deverá ser feito até segunda-feira, deve ficar por conta de instituições de menor porte, que operam quantias menos expressivas.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para liquidação em novembro foi cotado no último negócio a R$ 3,843, com baixa de 3,92%.
O dólar paralelo negociado em São Paulo fechou em alta de 4,22%, cotado a R$ 3,60 na compra e R$ 3,70 na venda. No Rio, o “black” subiu 4,34%, valendo R$ 3,40 na compra e R$ 3,60 na venda. O dólar turismo de São Paulo fechou em alta de 3,61%, valendo R$ 3,50 e R$ 3,73 na compra e venda, respectivamente.
Ações – Há três dias que a bolsa paulista opera em queda, já que enfrenta saída de recursos externos. Os investidores evitam o investimento em renda variável devido à incerteza com o cenário político e o cenário externo tenso.
Telemar PN e Petrobras PN, as duas ações mais negociadas da bolsa, têm queda de 1,42% e 1,64%, respectivamente. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores quedas são de Embraer PN e ON, que recuam 3,7% e 2,6%, respectivamente. Já as altas mais significativas são de Tele Centro Oeste PN (+4,1%) e Tele Leste Celular PN (+2,7%).
Fonte: Globo News




