20/06/2003 08h45 – Atualizado em 20/06/2003 08h45
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou falar com a imprensa, na noite de quinta-feira, ao chegar à casa do embaixador brasileiro em Washington, acompanhado dos dez ministros que participam, nesta sexta-feira, da visita ao presidente americano, George W. Bush.
De acordo com o porta-voz André Singer, Lula desembarcou “muito animado, muito otimista de que os resultados da reunião serão os melhores possíveis, os mais favoráveis possíveis para o Brasil e para as relações entre o Brasil e os Estados Unidos”.
Singer disse que o compromisso desta sexta-feira é um encontro aberto e que, a princípio, a primeira reunião da manhã entre os dois presidentes não terá a participação de nenhum ministro.
A viagem de Lula, acompanhado de tantos ministros, indica que a visita a Washington é mais uma reunião de governo do que simplesmente um encontro diplomático de Lula com o presidente americano.
Agenda positiva:
Integrantes do governo têm feito questão de ressaltar que o objetivo da viagem é tratar de questões nas quais a relação entre o Brasil e os Estados Unidos pode avançar – a chamada “agenda positiva” – e não daquelas em que há divergências – como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
Nas palavras do embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, “não se quer falar de Alca, aço e suco de laranja”.
No entanto, fontes do governo afirmam que a Alca – o principal debate envolvendo os dois países no momento – não poderá ficar totalmente de fora das discussões desta sexta-feira.
Além disso, o governo brasileiro chega aos Estados Unidos com uma posição reforçada de líder regional ao ter conseguido mobilizar os países do Mercosul em torno de uma agenda comum para o bloco.
Apesar das críticas que vem recebendo no Brasil em relação à politica de juros e às reformas da previdência e tributária, Lula ainda é visto por analistas e pela imprensa americana como um presidente que tem surpreendido positivamente e um parceiro fundamental para os Estados Unidos na conexão entre os hemisférios sul e norte.
Um dos assuntos que o presidente disse que vai tratar com George W. Bush será o próprio Mercosul. Lula afirmou – depois da reunião de cúpula em Assunção, no Paraguai – que vai pedir a ajuda do presidente americano para consolidar a integração do bloco.
Reuniões:
A comitiva do presidente em Washington inclui os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, da Casa Civil, José Dirceu, do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, da Agricultura, Roberto Rodrigues, das Relações Exteriores, Celso Amorin, e mais outros cinco membros do gabinete.
O ministro Furlan chegou antes, na quinta-feira, para participar de um seminário e da assinatura de convênios na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.
Na manhã desta sexta-feira, Lula e Bush devem participar de um encontro privado, seguido de uma reunião ampliada com os ministros.
À tarde, Lula se encontra com dirigentes do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, além do presidente da maior entidade sindical americana.
A expectativa é de que os ministros também possam ter agendas separadas pela tarde, apresentando propostas aos representantes do governo americano dentro de seus setores, como fez nesta quinta o ministro do Desenvolvimento.
Em relação às reuniões com os organismos internacionais, o embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, afirmou que tratam-se de encontros de cortesia, solicitados pelas próprias instituições.
Na chegada a Washington, o porta-voz André Singer também comentou a reação de Lula à morte do subtenente do Exército Alcir José Tomazi, baleado em um assalto ao carro do filho do presidente.
Singer disse que Lula lamentou profundamente a morte do subtenente, que tinha as melhores informações sobre o militar e que espera estar o mais rapidamente possível com a mulher e os filhos da vítima.