03/06/2003 15h01 – Atualizado em 03/06/2003 15h01
A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou preocupação nesta terça-feira com o relato da recente queda brusca no número de casos da pneumonia atípica, a Sars, na China.
Apenas três novos casos da doença foram registrados nesta terça-feira. Nas últimas semanas, o número de casos diários vinha atingindo as dezenas.
“Isso levanta perguntas sobre a Sars e o quanto é possível registrar as ocorrências, e também cria dúvidas sobre a forma como a China vem relatando a Sars”, disse Iain Simpson, porta-voz da OMS, à BBC.
Ele afirmou que é “inteiramente concebível” que a epidemia da doença esteja sendo controlada, mas que a natureza repentina da queda no número de casos e a forma como a China encobriu a disseminação da doença no início levantam dúvidas.
Toronto:
Oficiais de saúde asiáticos, que participam de uma conferência sobre prevenção da Sars na capital chinesa, Pequim, alertaram para o perigo de relaxar as medidas preventivas cedo demais.
Eles citaram o exemplo de Toronto, no Canadá, que está vivendo um segundo surto de Sars, depois que a doença havia sido declarada contida.
Na segunda-feira, oficiais de Toronto anunciaram dez novos casos e mais uma morte, elevando o número de fatalidades para 32.
“Apesar de dois meses e meio de trabalho intensivo, nós sabemos muito pouco sobre o quanto conseguimos registrar e divulgar casos de Sars”, disse Simpson.
Dúvidas:
Para Iain Simpson, é difícil determinar porque os casos podem ter caído.
“A queda no número de infectados poderia ser algo relacionado com as estações do ano ou com alguma mudança no meio ambiente”, afirmou.
Ele acrescentou que a OMS tem vários times trabalhando com grupos médicos do governo chinês, “todos tentando apurar as respostas científicas”.
“Pode ser que tenha ocorrido mesmo uma queda brusca no número de casos de Sars, mas, por causa da forma como a doença foi tratada quando apareceu na China, há um problema de credibilidade”, afirmou.
Uma autoridade chinesa da área de saúde disse que o governo não “baixará a guarda” na luta contra a doença.
“Nós precisamos manter uma vigilância rigorosa e continuar as iniciativas de prevenção e tratamento com persistência”, afirmou Gao Qiang, o vice-ministro da Saúde da China, falando durante a conferência em Pequim.
A China já registrou mais de 5,3 mil casos da doença e 332 mortes.
Acredita-se que a Sars tenha surgido na província de Guangdong, no sul da China, em novembro do ano passado, mas as autoridades chinesas não fizeram qualquer menção à doença até março deste ano, quando o vírus atingiu Hong Kong e o Vietnã.