24/04/2003 17h27 – Atualizado em 24/04/2003 17h27
BRASÍLIA — O novo secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, reuniu-se nesta quinta-feira em Brasília com o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, quando admitiu a possibilidade de adesão ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp) do governo federal. O ministro disse considerar a nomeação de Garotinho importante para o combate à violência.
Um dia depois de ter sido indicado por sua esposa e atual governadora do Estado, Rosinha Matheus, o ex-governador e candidato derrotado à Presidência ressaltou seu propósito de promover uma estreita colaboração com as autoridades federais.
Em entrevista à imprensa ao término do encontro, Garotinho disse que havia convidado o ministro para sua posse, na segunda-feira. Thomaz Bastos não poderá ir, contudo, por problemas de agenda, mas manifestou a disposição de viajar ao Rio o mais breve possível para prosseguir nos entendimentos na área de segurança.
O ministro da Justiça disse que considera a nomeação de Garotinho importante e que espera trabalhar em parceria e cooperação com o novo secretário, assim como vem trabalhando com os representantes de outros estados.
Pela manhã, o ministro empossou o novo diretor-geral do Departamento de Policia Rodoviária Federal, Hélio Cardoso Derenne.
Na ocasião, Thomas Bastos disse que, para combater o crime organizado, não é preciso reformar a legislação, mas promover mudanças nas três principais ferramentas que o Estado possui para intervir e transformar a realidade: o poder Judiciário, o sistema penitenciário, e as polícias.
“Precisamos integrar as nossas forças, a Polícia Federal, a Policia Rodoviária Federal, as policias Militar e Civil e as Secretarias de Segurança dos estados, porque só assim, nos organizando de uma maneira forte e eficaz, conseguiremos enfrentar essa maré de crime organizado que ameaça as nossas vidas”, disse.
Intervenção federal
Garotinho negou que esteja em questão uma intervenção federal no Estado, ressaltando que só sabia de rumores a esse respeito pelos jornais.
O próprio governo federal não estaria animado com a idéia de intervenção e, dias atrás, o ministro da Defesa José Viegas deixou claro que tal possibilidade só deveria ser considerada como um último recurso.
Sobre a adesão ao Sistema Único de Segurança Pública proposto pelo governo federal e de que já participam o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul, Garotinho disse que ainda falta aprofundar o exame da questão.
“Em princípio, aderimos, mas precisamos ver como vai ser aplicado”, disse.
Garotinho toma posse no cargo de secretário de Segurança do Rio de Janeiro no lugar do coronel Josias Quintal, que resolveu se afastar e assumir seu mandato de deputado federal pelo PSB, em meio a uma profunda crise de violência vivida pelo estado.
Reforçando a idéia do diálogo entre o governo federal e o Estado do Rio, o ministro da Justiça disse que as diferenças devem ser superadas, incluindo as que teve com seu desafeto político, o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares.
“Esses desentendimentos são coisas do passado”, disse. “Devemos olhar para frente e o que interessa agora é que todos estejam reunidos para proteger a população”.
“Desentendimento entre autoridades só interessa aos bandidos”, acrescentou.
Primeiros passos
O ex-governador do Rio disse sua primeira ação à frente da secretaria será reforçar o trabalho das delegacias especializadas, destinadas ao combate a entorpecentes, contrabando de armas, homicídios e roubos de cargas.
O programa foi realizado durante seu mandato como governador e contava com a convocação de reservistas para fazer serviço burocrático da Polícia Militar, liberando os policiais para combater o crime nas ruas.
Garotinho fez a ressalva de que não é possível fixar um prazo para normalizar a questão da segurança no Rio de Janeiro.
Após a derrota nas últimas eleições presidenciais, Garotinho disse que não ocuparia nenhum cargo no governo da mulher recém-eleita na época.
(Com informações da Reuters e da Agência Brasil)