19/03/2003 13h42 – Atualizado em 19/03/2003 13h42
WASHINGTON (CNN) – O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi informado pelo Pentágono de que as tropas norte-americanas no Golfo Pérsico estão prontas para atacar o Iraque e aguardam apenas a ordem de Washington, que já poderia ser dada logo mais à noite.
Bush deu ao presidente do Iraque, Saddam Hussein, e seus filhos, Uday e Qusay, um prazo até as 20:00 (horário de Washington, 22:00 em Brasília e 04:00 de quinta-feira, em Bagdad) desta quarta-feira para que renunciem ao poder e partam para o exílio.
Um alto funcionário da Casa Branca informou que o presidente se reunirá nesta quarta-feira com o Conselho de Segurança Nacional e com o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.
Por sua vez, funcionários do Pentágono ressaltaram que o ultimato feito por Bush na última segunda-feira não fixa um prazo para o início dos ataques, que seriam deslanchados “na hora em que o presidente achar melhor”.
As fontes da CNN lembraram a tática usada por Bush quando o presidente deu um ultimato ao regime fundamentalista islâmico do Talibã antes de invadir o Afeganistão, no final de 2001.
“Não existe mágica em termos de ação militar”, disse um alto funcionário do Pentágono.
“O presidente tomará a decisão militar com base no que os militares acharem ser melhor”, disse a outra fonte da CNN. “O prazo em questão é o prazo político para Saddam Hussein”.
Nenhum dos funcionários do Pentágono, porém, quis descartar a possibilidade de a guerra começar mesmo nesta quarta-feira.
Em 20 de setembro de 2001, em pronunciamento ao Congresso norte-americano, Bush deu um ultimato aos talibãs para que cooperassem imediatamente com os Estados Unidos e entregassem os líderes da rede terrorista Al Qaeda.
Os Estados Unidos, porém, só iniciaram a campanha militar contra o Afeganistão em 7 de outubro daquele ano.
Para os funcionários do Pentágono, a espera até que a guerra contra o Iraque comece deverá ser “muito curta” caso Bush opte por não invadir o país do Golfo Pérsico nesta quarta-feira à noite.
Ao longo desta quarta-feira, centenas de veículos militares seguiam para o norte do Kuwait, em direção à fronteira com o Iraque. Um trecho de quase 30 quilômetros da estrada local foi tomada por tanques, caminhões-tanque e outros veículos militares.
Na região norte do Iraque, controlada pelos curdos, uma fonte da União Patriótica do Curdistão disse que 28 soldados iraquianos desertaram. Outros três teriam sido mortos a tiros quando tentavam abandonar o Exército.
Tempestade de areia
Tempestades de areia, o inimigo do regimento de Infantaria norte-americano posicionado no Kuwait
O que parece preocupar as autoridades militares norte-americanas, neste momento, é o mau tempo no Kuwait, onde os cerca de 200 mil soldados têm que lidar diariamente com tempestades de areia.
Nesta quarta-feira, a poeira levantada pelos ventos reduziu a visibilidade a poucos metros, o que poderá afetar os planos dos Estados Unidos de invadir o Iraque por terra.
Os correspondentes da CNN que acompanham as tropas norte-americanas na região descreveram a tempestade como “violenta”, mas não tão forte como as da semana passada, que limitaram a visibilidade a apenas um metro.
A areia obriga os soldados a proteger olhos e gargantas, mas o maior receio dos militares é com o impacto sobre os equipamentos eletrônicos, bastante senvíveis, e os rotores dos helicópteros.
O mau tempo também poderia prejudicar as operações aéreas, uma vez que os alvos no Iraque ficariam encobertos pela areia.
Chad Myers, meteorologista da CNN, estimou que os céus no Kwuati deverão limpar durante a madrugada, mas a previsão é de que a quinta-feira seja marcada por ventos ainda mais fortes.
O comandante da 101ª Divisão Aerotransportada do Exército dos Estados Unidos, general David Petraeus, admitiu ao correspondente da CNN Ryan Chilcote que as tempestades poderiam dificultar a missão norte-americana.
Petraeus observou, porém, que as forças iraquianas confrontarão o mesmo desafio.
“Até mesmo as atividades mais simples, com sair de um ponto para outro, podem ser desafiadoras”, analisou. “Será preciso usar GPS (Satélite de Posicionamento Global) e reduzir o ritmo”.
Diante da adversidade climática, Bush tem a opção de reforçar a pressão psicológica sobre o Iraque, em vez de atacá-lo diretamente, neste primeiro momento.
Nas últimas semanas, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha intensificaram a atividade militar nas chamadas “zonas de exclusão aérea” sobre o sul e o norte do Iraque.
Com o prosseguimento destas incursões, funcionários da Casa Branca dizem ter sido informados por Bush sobre “ações preparatórias” dentro do Iraque – supostamente operações especiais visando a abrir caminho para rotas de ataque e alvos em potencial.
Fonte: CNN