19/03/2003 08h07 – Atualizado em 19/03/2003 08h07
Ernesto Roller lança-se na disputa pela presidência
da comissão e põe abaixo as articulações que levariam
o neotucano Kennedy Trindade para o cargo.
Reviravolta ontem na escolha do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa. O líder do PPB, Ernesto Roller, lançou-se candidato avulso da base governista e jogou um balde de água fria nos planos do neotucano Kennedy Trindade, que tinha acordo pronto para se eleger em chapa única. Acerto fora feito na véspera com o presidente da Casa, Célio Silveira (PSDB), e garantiu a desistência de Abdul Sebba (PL). Abdul concordou em ser o vice de Kennedy para dividir com ele o mandato de dois anos. Kennedy assumiria primeiro.
Confiante na vitória tranqüila dos dois, o líder do Governo, Afrêni Gonçalves (PSDB), propôs a votação pelos onze membros da CCJ. No último minuto, Roller anunciou a candidatura, surpreendendo os integrantes da base governista. O anúncio foi precedido de um telefonema. Roller nega, mas há quem garanta que sua decisão teria apoio do governador Marconi Perillo, que não estaria satisfeito em ver o ex-peemedebista Kennedy Trindade comandando o segundo cargo mais importante da Casa.
Roller argumenta que tinha compromisso com Abdul mas, como ele desistiu, sentiu-se livre para pleitear o posto. “Não retiro minha candidatura e não divido mandato”, garante o líder do PPB, referindo-se ao acordo entre Kennedy e Abdul. Como único candidato a vice, Abdul ficará no cargo seja quem for o vencedor. Diante do impasse, Afrêni pediu a suspensão da sessão para uma reunião emergencial com os deputados da base.
Votação adiada
A surpresa dos governistas era visível. “Se ele tivesse se manifestado antes poderíamos ter costurado outro acordo”, alegou Afrêni. Roller bateu o pé. “Sou candidato e não tenho restrição a ganhar ou perder”, declarou. Temendo dar tempo ao concorrente Kennedy, queria a disputa ainda ontem, mas foi convencido por Afrêni e a votação acabou adiada para hoje. Ao entrar na briga pela CCJ, Roller pôs em xeque mais um acordo feito pelo presidente Célio Silveira na negociação da chapa da mesa diretora. O primeiro foi desmantelado por Afrêni, que não cedeu a Comissão de Saúde para o PT.
Roller tem apoio da oposição (PT e PMDB), que soma três votos na CCJ. Para ele vencer basta conquistar dois votos entre os governistas, que junto com o dele somarão seis entre os 11 membros. A candidatura de Roller acirrou ainda mais a disputa entre os aliados. Até a troca de partido havia sido usada como artifício para aumentar o cacife na disputa. Kennedy deixou o PSB e foi para o ninho tucano. Para não ficar atrás, Abdul Sebba trocou o nanico PHS pelo PL, única forma de garantir sua inserção entre os membros da CCJ. Agora, os dois correm risco de ver todo o esforço perdido.



