17/03/2003 14h45 – Atualizado em 17/03/2003 14h45
Mais do que um novo processador, a linha Centrino faz parte de uma estratégia mais ampla, voltada para popularizar o conceito de redes sem fio entre os usuários de computadores móveis.
A Intel anunciou hoje o lançamento do Centrino (antes conhecido pelo codinome Banias), uma plataforma de comunicação móvel totalmente nova, formada pelo processador Intel Pentium-M, o chip set Intel 855 e uma interface de comunicação sem fio Intel PRO/Wireless 2100. Você já leu na PC World sobre o Centrino em fevereiro.
O processador Pentium-M estará disponível na sua versão padrão em quatro velocidades: 1,3 GHz, 1,4 GHz, 1,5 GHz e 1,6 GHz. Haverá também uma versão LV (low voltage) de 1,1 GHz e uma ULV (ultra-low voltage) de 900 MHz. Produzido pelo processo de fabricação de 0,13 mícrons, o Pentium-M deverá ter futuramente uma versão de 90 nm (ou 0,09 mícrons), atualmente conhecido pelo codinome Dothan.
O chip set Intel 855 estará disponível em duas versões, o 855GM e 855PM. A diferença básica entre esses dois modelos é que o primeiro vem equipado com uma aceleradora gráfica Intel Extreme Graphics integrada no próprio chip set, daí o sufixo GM (Graphics Mobile). O 855PM por sua vez, não incorpora aceleração gráfica, mas possui uma interface AGP 4X, o que permite a instalação de uma aceleradora produzida por outro fabricante, como a NVidia ou ATI, cujo resultado pode ser um portátil com melhor desempenho gráfico, daí também o sufixo PM (Performance Mobile).
Fora isso, os chip sets possuem em comum características como compatibilidade para barramento frontal (FSB) de 400 MHz, até 2 GB de memória DDR de 200/266 MHz, som (ACdocument.write Chr(39)97 2.3), USB 2.0, rede e IDE ATA/100. A mais importante delas é a interface de comunicação Intel PRO/Wireless 2100, inicialmente compatível com o padrão 802.11b mas que deve evoluir logo para o padrão dual 802.11a/b.
Nos próximos meses deverão chegar ao mercado brasileiro os primeiros notebooks baseados na tecnologia Centrino. São eles os Itautec (Infoway Note Wireless), Dell (Latitude D600 e D800), Toshiba (Tecra 9300), Novadata (Incompany N9500) e a IBM (Thinkpad T40).
Paulo Lamanna, gerente de aplicações da Intel do Brasil, explica que o Centrino é um projeto inovador sob vários aspectos, principalmente pelo modo com que ele foi concebido. O desenvolvimento dessa nova plataforma nasceu a partir de pesquisas realizadas pela Intel que levantaram quais as características mais desejáveis num computador portátil pelo ponto de vista de seus usuários.
As cinco mais citadas foram: menor peso, maior durabilidade da bateria, desempenho, tela de boa qualidade e comunicação sem fio. Tais informações desenham o perfil de um equipamento fácil de ser transportado e que poderia ser utilizado em qualquer local, mesmo longe de uma tomada de força ou ponto de rede. Resumindo em apenas uma palavra, mobilidade.
Daí surgiu o desafio para melhorar o desempenho de um PC portátil sem aumentar o seu consumo de energia. A solução encontrada foi um novo método de desenvolvimento, cuja regra principal era de sempre avaliar o real valor de todas as características do projeto em termos de ganho de desempenho e o conseqüente consumo de energia que, por sinal, também era racionado, já que também foram estabelecidos limites máximos de consumo geral da nova plataforma.
Desse modo, várias idéias surgiram e foram testadas por meio de simuladores. Todas as características que ofereciam melhor desempenho com maior consumo de energia foram abandonadas ou redesenhadas de modo a ficar dentro de limites desejáveis ou pelo menos dentro de uma faixa intermediária com consumo de energia e desempenho passíveis de administração de acordo com o contexto.
Um exemplo disso é a capacidade do Pentium-M de ligar ou desligar partes de seu circuito integrado (que contém mais de 77 milhões de transistores) de modo a não desperdiçar energia com recursos que não estão sendo utilizados pelo processador, como a aceleradora gráfica 3D, o barramento de dados e até a memória cache L2 de 1 MB (que ocupa quase a metade do seu núcleo) que foi dividido em 32 setores que podem ser ativadas dinamicamente.
A tecnologia SpeedStep também foi aperfeiçoada, de modo a possuir cinco novos estágios de consumo de energia enquanto que o sistema anterior possuía apenas dois. Segundo Dennis Zasnikoff, engenheiro de aplicações da Intel Brasil, esses estágios de consumo são gerenciados de maneira dinâmica pelo processador e pelo regulador de energia (IMVP IV) de acordo com a demanda da aplicação, mas a velocidade do clock nunca desce abaixo de 600 MHz, seja ele um Pentium-M padrão ou de baixo consumo.
Outras inovações são mais complexas como o Advanced Branch Prediction, o Dedicated Stack Manager e a capacidade de fundir duas micro operações em uma. Tratam-se de características que parecem beirar o exoterismo, mas que na sua essência são voltadas para minimizar o processamento de instruções desnecessárias e, por consequência, contribuem com algus miliwatts a menos no consumo geral da plataforma.
Segundo testes realizados pela própria Intel, estima-se que a plataforma Centrino no seu modo de consumo mínimo de energia possa ter uma autonomia estimada em 306 minutos — ou mais de cinco horas. Isso significa uma vantagem em torno de 30% sobre uma configuração equipada com processador Pentium III-M de 1,2 GHz e de 78% sobre uma configuração semelhante baseada no Pentium 4-M de 2,4 GHz. Esses valores poderão melhorar ainda mais com a entrada do Dothan, que consumirá menos energia devido ao menor tamanho de seus componentes.
O sistema de comunicação sem fio Intel PRO/Wireless 2100 recebeu um tratamento semelhante, incorporando várias inovações que procuram não somente economizar energia como também facilitar a conexão a redes sem fio.
Entre as inovações mais interessantes estão a capacidade do sistema avaliar e escolher de maneira dinâmica a melhor antena (entre as duas disponíveis) que ofereça a melhor recepção de dados possível. Para economizar energia, a Intel implementou rotinas como o chamado PSP (Power Saving Protocol), que também definem cinco níveis de potência de modo a oferecer a melhor relação de desempenho e consumo de energia. Outra medida de contenção é um gerenciador que controla o período de tempo entre as buscas por pontos de acesso, de modo que o sistema não perde tempo (e energia) tentando se conectar em locais em que tais sinais não existem.
Sobre o software compatível com a plataforma, Zasnikoff falou que o Centrino virá com o pacote Intel PROSet Software formado por três utilitários, o Advanced Profile Management, Automatic WLAN Switching e o Ad hoc Connection Wizard Support. O primeiro deles é voltado para gerenciar as várias configurações de rede que o usuário utiliza em casa, em trânsito ou no trabalho, o segundo permite a mudança suave de uma rede para outra e a terceira, a conexão temporária entre PCs sem o uso de um hub ou servidor.
Lamanna observou que esse módulo é compatível com os atuais padrões de segurança como LEAP, WEP, TKIP e outros ainda em desenvolvimento e que poderão ser implementados no futuro por meio de atualizações de firmware.
Mais informações já estão disponíveis a partir de hoje no site da Intel no Brasil.
Intel Brasil: http://www.intel.com.br