16/01/2003 13h43 – Atualizado em 16/01/2003 13h43
Faleceu hoje pela manhã em Bataguassu, o pioneiro Enio Martins. Seu Enio, como era conhecido na cidade morreu vítima de enfarto, mas ainda foi levado com vida para a Santa Casa de Bataguassu, sendo posteriormente conduzido para a cidade paulista de Presidente Prudente. Ele não resistiu ao enfarto e veio a falecer. Segundo informações, hoje pela manhã ele caiu ao tentar abrir uma porta de sua residência. Um amigo, inclusive, comentou que “ele sempre ia a padaria pela manhã, e hoje quem foi comprar o pão era a empregada da casa, indaguei a ela aonde estava o seu Ênio, e ela disse que ele tinha levado um tombo, e que não estava bem”, informou.
Seu corpo está nesse momento, vindo de prudente, a caminho de Bataguassu. O velório será na Câmara Municipal da cidade. Os moradores de Bataguassu sentem a perca irreparável do amigo, e um dos fundadores de Bataguassu. Enio Martins deixa a esposa, Diva Martins, filhos e netos.
Leia a seguir a história de Enio Martins
A história de Enio Martins
Em 11 de dezembro de 1953 o governador Fernando Correia da Costa assinou a Lei 683 que elevou Bataguassu a município. O primeiro prefeito eleito, empossado em 19 de fevereiro de 1955, foi Enio Martins, que muito se destacou na luta pela emancipação política desta terra.
Descendentes dos desbravadores dos sertões de Vacaria, sendo sobrinho de Vespasiano Barbosa Martins, um dos nomes mais ilustres da história sulmatogrossense. É filho de Henrique e Adelaide Barbosa Martins. Nasceu em 25 de maio de 1916, no município de Entre Rios, hoje Rio Brilhante e Mato Grosso do Sul. Entre seus irmãos encontra-se Wilson Barbosa Martins, ex-governador, e Plínio Barbosa Martins, ex-deputado federal.
Trabalho Na administração de “Erva mate Gatto Pretto”, na fazenda Baile, atualmente em Nova Andradina. Foi Polícia Especial de Getúlio Vargas; administrou fábrica de cal, fazendas, olaria e chegou a pecuarista. Casou-se com Diva Câmara Martins, sua grande colaboradora na administração pública.
Quando da criação do município de Bataguassu, este se estendia pelas terras de Anaurilândia, Batayporã, Nova Andradina e Taquarussu. Como administrador público em toda região, construiu estradas, pontes, escolas e implantou o ensino municipal. Quando não havia veículos na Prefeitura, usava seu próprio caminhão para transportar trabalhadores e material, recebeu o título de Cidadão Bataguassuense e de Cidadão Batayporanense.
Fez sua luta pela construção da Ponte Professor Maurício Joppert sobre o Rio Paraná e BR–34, hoje BR-267. Reivindicou insistentemente a abertura da agência do Banco do Brasil S.A. e elaborou projeto para a energia elétrica atravessar a ponte vinda do Estado de São Paulo. Conseguiu a criação do ginásio (5ª a 8ª séries de hoje), a criação da comarca, repartição do DETRAN, Delegacias regionais de fazenda e do IBGE e de Alistamento Militar (hoje transferidas para Nova Andradina e Três Lagoas). Conseguiu a construção da primeira ponte sobre o Rio Pardo. Edificou o primeiro prédio para a Prefeitura Municipal, na Avenida Campo Grande, que por muitos anos sediou os poderes Executivo e Legislativo e, mais tarde, também o Judiciário.
O Posto de Saúde tinha atendimento precário, seja pela falta de profissionais, seja pelo abandono do governo do Estado (ainda em Cuiabá-MT). Contribuía com a Santa Casa de presidente prudente para que atendesse os doentes do município. Amigo dos Prefeitos Paulistas, conseguia com eles a vinda de ambulâncias para vacinar a população. Trouxe a primeira repartição para controle da Febre Aftosa e defesa animal.
Incentivava e trabalhava para que o maior número de pessoas obtivesse o título de eleitor. Tinha consciência de que aumentar o eleitorado era fato decisivo para a obtenção de verbas.
Sempre teve uma visão política além de sua época, o que o tornou líder regional. Os políticos dos locais mais diversos vinham em busca de sua orientação, de sua ajuda e de sua influência.
Não aceita que alguém se mantenha alienado do processo eleitoral. Até hoje, com 86 anos de idade, continua a ser um formador de opinião. A cada eleição que se aproxima visita amigos e conhecidos, levando-lhes nomes de candidatos cuja eleição interessa ao progresso de Bataguassu.
Quando havia reuniões partidárias, campanhas eleitorais, comícios, os políticos que vinham de outras localidades ficavam hospedados na casa de Enio que, embora pequena, em madeira tosca, abrigava senadores, governadores, deputados federais e estaduais, vereadores, candidatos a esses cargos, chefes políticos regionais. Todos eram acomodados da melhor forma possível, até mesmo em redes, sofás-cama, colchões. Sentavam-se à mesa e compartilhavam das refeições em ambiente alegre e amigo. Desses companheiros ilustres Enio nunca buscou um favor pessoal, pedindo sempre em benefício da comunidade. Isso fez aumentar a consideração de tantos políticos em relação a ele, fato que usou para trazer cada vez mais e novos benefícios para Bataguassu e região.
A capital do Estado era Cuiabá, distante vários dias de viagem por estradas sem condições de tráfego. A precariedade dos meios de comunicação não permitiam fossem previamente agendadas as audiências com governadores e seus secretários. Saia o prefeito em verdadeiro safári, rumando para a capital, em veículo particular, junto a algumas lideranças e lá ficavam, hospedados em hotéis às suas próprias custas, aguardando o governador chegar do rio de janeiro, de algum outro local para onde viajara, ou dispor de hora para atendê-los.