02/01/2003 13h58 – Atualizado em 02/01/2003 13h58
MBABANE, Suazilândia – O pequeno reino da Suazilândia, na África, reconheceu pela primeira vez que é um dos países com a mais alta incidência de infecção pelo vírus da Aids no mundo, com quase 40% de seus adultos contaminados.
O primeiro-ministro Sibusiso Dlamini, em uma mensagem de Ano Novo publicada nos jornais locais nesta quinta-feira, disse que a prevalência oficial da doença no continente subiu para de 34,2%, em janeiro de 2002, para 38,6%. O índice é medido entre adultos.
- É enormemente decepcionante que as iniciativas de prevenção e educação do ano passado tenham tido tão pouco efeito – disse Dlamini.
Os novos números deixam a Suazilândia apenas atrás de Botsuana entre os países com maior incidência de Aids.
Segundo as mais recentes estimativas da Organização das Nações Unidas, no início de 2002, Botsuana tinha 38,8% de adultos infectados; o Zimbábue, 33,7 e o pequeno reino de Lesoto, 31%.
Autoridades da Suazilândia sempre adotaram um comportamento circunspecto ao discutir a crise da Aids no país, que também luta contra a severa falta de alimentos. Um quarto do milhão de habitantes da Suazilândia está passando fome.
A mensagem de Dlamini citou estatísticas de um relatório ainda não divulgado do Ministério da Saúde, baseado em uma pesquisa de 2001 com mulheres grávidas e que deram à luz em hospitais públicos.
As informações foram usadas como base para determinar a prevalência do HIV na população adulta em geral. Em janeiro do ano passado, um estudo semelhante detectou uma incidência de 34,2%.
Autoridades sanitárias reconheceram que a incidência atual provavelmente é maior.
- O relatório tem meses, e os números provavelmente estão desatualizados – disse uma fonte da Saúde.
Dlamini prometeu que drogas anti-retrovirais, o único tratamento disponível para desacelerar a doença, estariam disponíveis no mês que vem em hospitais do governo para ajudar a prevenir a transmissão do HIV de mãe para bebê.
Ele reconheceu que as mortes causadas pela Aids diminuíram a disponibilidade de mão-de-obra no campo, intensificando a crise alimentar trazida por problemas nas colheitas no ano passado. Dlamini disse que há fome em algumas partes do país, algo que o governo nunca disse antes.
Antes da epidemia de Aids, estimava-se que a população da Suazilândia seria de 1,2 milhão de pessoas em 2000. Atualmente, é de 970 mil. Vinte mil infectados desenvolveram Aids por ano no país.
Um relatório do Unicef prevê que, em 2010, 15% da população serão compostos por órfãos da Aids.
Fonte: Reuters