28/11/2002 09h08 – Atualizado em 28/11/2002 09h08
Se fracassar na missão de vencer o Santos amanhã por pelo menos dois gols de diferença, às 20h30, no Morumbi, o São Paulo vai jogar por terra vários prestígios conquistados com a excelente primeira fase no Brasileiro.
Entre as famas em risco estão a da sua nova diretoria, a do técnico Oswaldo de Oliveira e a dos atletas, como o meia Ricardinho -hoje mais uma vez houve reunião entre técnico e jogadores para acertar a equipe na decisão.
Mais: o time que mais fez finais de Brasileiros e que é tricampeão nacional (1977, 1986 e 1991), completará, com um revés, 11 anos sem vencer o principal torneio do país, dando sequência ao seu maior jejum na competição, iniciado em 2001, quando chegou à marca de dez anos sem um título do principal campeonato do país.
Caso sejam eliminados nas quartas-de-final, os são-paulinos acabarão com a chance de o presidente Marcelo Portugal Gouvêa cumprir sua promessa de campanha no primeiro ano de mandato: levar a equipe à Libertadores.
O clube não disputa a competição, que venceu em 1992 e 1993, desde 1994. Para chegar à Libertadores -os finalistas ganham vaga-, Gouvêa abriu os cofres e reforçou defesa, meio e ataque.
Porém, se fracassar amanhã, o São Paulo terminará 2002 do mesmo jeito que 2001: com ataque eficiente, defesa frágil e time incapaz de passar das quartas-de-final. No ano passado, o clube foi eliminado nesta fase pelo Atlético-PR.
A defesa são-paulina falha como no passado, apesar das contratações de Ameli, Régis e Jorginho. Ricardinho, o principal reforço trazido por Gouvêa, numa polêmica negociação com o Corinthians, também estará em xeque se o São Paulo for eliminado.
Ele foi contratado para dar tranquilidade nas decisões. Após a derrota por 3 a 1 para os santistas, Ricardinho deixou de lado sua habitual diplomacia e assegurou que o São Paulo irá se classificar.
Até a estréia no mata-mata, os são-paulinos afirmavam que a chegada de Ricardinho transformara a equipe em vencedora. ´O time mudou com ele, ganhou maturidade”, havia dito Kaká, que também poderá ter o futuro influenciado por fracasso amanhã.
Mesmo sem admitir, a diretoria já contava com a possibilidade de negociá-lo. Com o respaldo do título e o fato de ter Ricardinho como substituto, protestos de torcedores poderiam ser minimizados. Sem o triunfo, porém, a saída do ídolo fortaleceria a oposição.
Já o rival Santos entra em campo em outra situação. O técnico Emerson Leão afirma que seu trabalho tem ´prazo de dois anos´´.
“Meu time é de jogadores que ainda têm muito a aprender taticamente. Eles são bons na técnica, mas precisam saber jogar coletivamente.”
Leão repetiu várias vezes que o objetivo da equipe era chegar às quartas-de-final -o resto seria lucro. ´Chegamos com as calças na mão, mas chegamos.”
O plano do time é projetar seus atletas, principalmente Diego e Robinho, para vendê-los em 2003.
A folha de pagamento do Santos não ultrapassa R$ 300 mil, o que o São Paulo paga mensalmente a Rogério e Kaká. “Cada um acertou seu salário. Se os do São Paulo são melhores, sorte deles. Aqui no Santos, nossa realidade é o teto salarial”, afirma o volante Renato.
SÃO PAULO
Rogério, Gabriel (Rafael), Ameli, Jean e Gustavo Nery; Júlio Santos, Fábio Simplício, Ricardinho e Kaká; Luis Fabiano e Reinaldo.
Técnico: Oswaldo de Oliveira
SANTOS
Fábio Costa; Maurinho, Alex, André Luís e Leo; Paulo Almeida, Renato, Diego e Elano; Robinho e Alberto.
Técnico: Emerson Leão
Local: estádio do Morumbi, em São Paulo
Horário: 20h30
Juiz: Wilson de Souza Mendonça (PE)
Fonte: Folha de São Paulo