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quinta-feira, 14 de maio de 2026

GUERRA:Iraque mostra cenas de soldados americanos capturados e mortos

23/03/2003 17h59 – Atualizado em 23/03/2003 17h59

A rede de televisão estatal do Iraque exibiu neste domingo imagens de supostos prisioneiros de guerra americanos. As cenas foram retransmitidas para o mundo todo pela rede árabe Al Jazeera, e mostravam pelo menos cinco prisioneiros sendo entrevistados e quatro mortos. Os americanos ainda não confirmaram se os soldados que aparecem são mesmo de seu Exército, mas reclamou das imagens.

De acordo com o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, a exibição das cenas desrespeita a Convenção de Genebra, o conjunto de leis que regulamenta os conflitos armados no mundo. Os quatro corpos mostrados pela TV do Iraque estavam em uniformes militares americanos, colocados dentro de um necrotério do país. Eles ainda não foram identificados, já que os EUA não comentam a captura.

A TV árabe informou que os prisioneiros foram capturados perto de Nasiriya, cidade ao sul do país que vem sendo palco de duras batalhas. Os prisioneiros entrevistados na gravação falavam inglês com forte sotaque americano. Dois estavam vendados. Alguns não entendiam as perguntas. “Desculpe, não compreendo você”, disse um deles ao entrevistador, que perguntava a qual unidade pertencia.

Outro prisioneiro disse ser do Kansas e afirmou, quando perguntado sobre o motivo da participação na guerra contra os iraquianos: “Eu atiro neles só se alguém atira em mim. Eles não me incomodam, daí não me incomodo com eles.” A Al Jazeera diz que a maioria se identificou como sendo da 507ª Companhia de Manutenção do Exército – outra informação que os Estados Unidos ainda não confirmam.

Promessa – Horas antes, o vice-presidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan, anunciou, durante uma entrevista concedida em Bagdá, que seu país tem 35 prisioneiros de guerra dos Estados Unidos. Antes dado como morto – os americanos achavam que ele tinha sido vítima de bombardeios a Bagdá -, o vice de Saddam Hussein já havia prometido exibir os prisioneiros americanos na televisão.

Segundo Ramadan, os soldados inimigos capturados “invadiram Souq al-Shuyukh”, perto de Nasiriya, no sul do Iraque, região onde os americanos vêm combatendo desde o primeiro dia da guerra e onde enfrentam resistência das tropas locais. O vice-presidente afirmou que a resistência de seu país está tendo “resultados excelentes” e garantiu que agora “a situação é confortável para o Iraque”.

No sábado, o ditador Saddam Hussein apareceu mais uma vez na televisão estatal iraquiana e disse que trataria prisioneiros de guerra americanos de acordo com a Convenção de Genebra, o conjunto de leis que trata de guerras e conflitos internacionais. “Por respeito a si mesmo e à humanidade, o Iraque respeitará os prisioneiros de guerra do inimigo que capturarmos”, prometeu Saddam na TV.

Ataque a Basra – Outra autoridade iraquiana veio a público neste domingo para condenar a ação dos americanos. De acordo com o ministro da Informação, Mohammed Saeed, as forças aliadas mataram 77 pessoas e feriram 266 durante uma ataque aéreo contra Basra, a segunda maior cidade do país, no sul. O ministro diz também que seis pessoas morreram na sexta durante o megabombardeio em Bagdá.

Ainda de acordo com Saeed, os ataques aéreos esporádicos deste sábado na capital deixaram 106 civis feridos, já que o bombardeio teria atingido áreas residenciais. O ministro da Informação do Iraque afirmou que os ocupantes da “Casa Preta”, como chama a Casa Branca, sede do governo dos EUA, irão ser derrotados. Ele diz que Saddam já tem 6 milhões de soldados voluntários no país.

Caças e helicópteros – Também neste domingo, o porta-voz do Ministério da Defesa iraquiano, Hazem Abdul-Qader, afirmou que cinco aviões e dois helicópteros das forças aliadas foram abatidos nos primeiros dias da guerra. O ministério diz que quatro aviões foram atacados em Bagdá e o último em Basra. Os EUA negaram ter qualquer informações sobre aviões e helicópteros abatidos no Iraque.

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