25/03/2003 08h49 – Atualizado em 25/03/2003 08h49
VITÓRIA – O secretário de Segurança do Espírito Santo, Rodney Miranda, prometeu revelar na manhã desta terça os nomes dos assassinos do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, de 32 anos, da Vara de Execuções Penais do Espírito Santo. Segundo o secretário, os criminosos já confessaram participação no caso e disseram que sua ação foi uma tentativa de assalto. Ontem, a polícia prendeu dez suspeitos e apreendeu uma motocicleta – que teria sido usada no crime – e duas armas.
O corpo do juiz será enterrado na tarde desta terça-feira no cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio de Janeiro. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) deixou Vitória por volta das 9h, transportando o corpo, que será levado para a Capela Santa Isabel, em Inhaúma, onde haverá o velório. O sepultamento está marcado para as 15h. O juiz foi assassinado a tiros ontem, na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo.
Alexandre Martins foi assassinado quando saía de uma academia de ginástica no bairro Itapoã, em Vila Velha. Ele foi atingido por três tiros – na cabeça, no tórax e no braço direito – disparados por dois homens em uma moto.
Segundo Rodney Miranda, o juiz havia dispensado os seguranças que ficaram até as 23h de domingo na casa do magistrado.
- Era o segurança que cuidava do meu filho. Ele (Martins) disse para o segurança chegar depois das 23h em sua casa, mas infelizmente tomou a iniciativa de sair – lamentou o secretário, visivelmente abatido.
O juiz pertencia ao Grupo de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual e atuava em parceria com a missão especial da Polícia Federal. Alexandre Martins foi o responsável, por exemplo, pela transferência para o Acre do coronel Walter Gomes Ferreira, apontado como o chefe do “braço armado” do crime organizado no Espírito Santo. Ele vinha sendo ameaçado e recebia proteção da Polícia Federal, mas nesta segunda-feira não estava com escolta.
A morte do juiz capixaba provocou reações no Poder Judiciário e comentário do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
- É o segundo juiz morto em 10 dias. Não sei quem matou este juiz, mas vocês podem ter certeza de que, se a morte deles é uma ação do crime organizado e do narcotráfico, vamos ganhar a guerra contra o crime organizado e contra o narcotráfico neste país – disse Lula, referindo-se também ao assassinato, no último dia 14, do juiz corregedor de Presidente Prudente, em São Paulo, Antônio José Machado Dias, executado a tiros por dois homens.
Na semana passada, em entrevista a um programa da rádio CBN em Vitória, Alexandre Martins comentara a morte do corregedor da Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias. Segundo o juiz, a morte de um colega não pode intimidar a atuação dos demais juízes.
A secretaria de Segurança Pública dp Espírito Santo chegou a oferecer recompensa de R$ 10 mil para quem desse pistas sobre os motoqueiros, por meio do telefone 3222-8144.





