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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Células das mães podem permanecer em seus filhos e a dos filhos, nas mães

12/05/2003 08h34 – Atualizado em 12/05/2003 08h34

SEATTLE — Um recado para as mães: mesmo que seus filhos cresçam e mudem para longe, eles provavelmente ainda carregam uma parte de você. Além disso, você também leva uma parte deles. E não é da forma em que se costuma pensar.

Pesquisas científicas mostram que, mesmo décadas depois de uma mulher dar à luz, ela pode ter células em seu sangue e em seus tecidos que os filhos lhe passaram durante a gravidez.

Igualmente, muitos adultos parecem manter células que receberam da mãe durante o tempo em que estiveram em seu útero.

A grande pergunta agora para os cientistas é se o fato de manter essas células estranhas é bom, mau ou indiferente para a saúde de uma pessoa.

Alguns indícios sugerem que tais células poderiam estabelecer as condições para vários tipos de doenças em que o sistema imunológico, por erro do corpo, ataca seus próprios tecidos.

Mas, alguns cientistas suspeitam que também poderiam ser úteis, já que essas células externas são descendentes de células tronco que se transplantaram a si mesmas, criaram raízes e começaram a produzir a prole encontrada décadas depois.

De todo modo, o que se constatou foi uma dose muito pequena de células externas nos adultos.

Um estudo, por exemplo, encontrou até 61 células sangüíneas fetais em cada porção (do tamanho de uma colher de sopa) de sangue das mulheres.

“Isso é menos de uma em millhão”, disse a dra. J. Lee Nelson, especialista em doenças do sistema imunológico no Centro de Pesquisas Fred Hutchinson e da Universidade de Washington, em Seattle.

“Possuir uma dose muito pequena de células fetais de uma gravidez ocorrida há muito tempo é, definitivamente, bastante comum em indivíduos saudáveis”, disse a dra. Lee Nelson.

A grande maioria das mulheres que ficou grávida, inclusive as que sofreram abortos, provavelmente possui células fetais que podem ser detectadas, de acordo com Nelson.

E, quase um quarto dos adultos pesquisados apresentaram células maternas em suas correntes sangüíneas.

O fenômeno de células estranhas é chamado microquimerismo. Os cientistas que usam ferramentas genéticas para identificar tais células as encontram repetidamente tanto em pessoas doentes como em saudáveis.

Uma equipe de pesquisa encontrou células masculinas no sangue de uma mulher até 27 anos depois de ter tido um filho.

Já Nelson e sua equipe descobriram que adultos em seus 40 anos ainda portavam células sangüíneas de sua mãe.

(Com informações da Associated Press)

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