12/05/2003 09h24 – Atualizado em 12/05/2003 09h24
BAGDÁ — O novo administrador civil norte-americano do Iraque, L. Paul Bremer, chegou ao país nesta segunda-feira, na companhia do general Richard Myers, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, e do general reformado Jay Garner, a quem está substituindo.
“Nós pretendemos fazer a transferência de cargo de forma eficiente e organizada”, disse Bremer após desembarcar no Aeroporto Internacional de Bagdá.
“O general Garner e eu estamos comprometidos a trabalhar juntos”, assegurou. “Não prevejo nenhum problema nessa transição de poder”.
A reforma administrativa acontece num momento em que o Gabinete de Reconstrução e Assistência Humanitária, criado por Washington, luta para restaurar a ordem e as funções governamentais, e quando muitos iraquianos comuns queixam-se da insegurança e da demora no restabelecimento dos serviços de infra-estrutura, como luz e água.
“É um desafio maravilhoso ajudar o povo iraquiano a recuperar seu país após um regime despótico”, afirmou Bremer, ao chegar a Basra, onde permaneceu brevemente antes de seguir viagem para Bagdá.
Ao ser perguntado se estava, na verdade, dirigindo um plano dos Estados Unidos para colonizar o Iraque, Bremer respondeu: “A coalizão não veio para colonizar o Iraque. Nós viemos para depor um regime despótico, o que fizemos. Nosso trabalho agora é ajudar o povo iraquiano a assumir as rédeas de seu próprio destino”.
Tentando minimizar as impressões de que a substituição de Garner representava uma mudança de política, Bremer ressaltou: “Eu também gostaria de dizer o quanto estou orgulhoso do trabalho do meu grande amigo Jay Garner e de sua equipe, o quanto estou orgulhoso de tudo o que fizeram aqui nas últimas semanas sob circunstâncias extraordinárias”.
E acrescentou que queria “fazer uma homenagem pública a Jay e toda sua equipe pelo grande trabalho realizado”.
O jornal The New York Times afirmou na edição desta segunda-feira, citando autoridades norte-americanas não identificadas, que quatro assessores de Garner também deixariam suas funções: Margaret Tutwiler, chefe de comunicações; Tim Carney, responsável pelo Ministério da Indústria e das Minas iraquiano; David Dunford, um especialista em Oriente Médio; e John Limbert, embaixador para a Mauritânia.
Bremer e Garner não comentaram a reportagem, mas Tutwiler declarou a um jornalista que o plano previa, desde o início, que ela ficasse no Iraque por um mês, até 15 de maio, e posteriormente reassumir seu cargo de embaixadora do Marrocos.
Bremer, de 61 anos, foi assistente dos então secretários de Estado William P. Rogers e Henry Kissinger, embaixador em missão especial para contra-terrorismo, de 1986 a 1989, e também embaixador norte-americano na Holanda.
Recentemente, ele ocupou a presidência da empresa Marsh Crisis Consulting.
Bremer ficará diretamente subordinado ao secretário da Defesa Donald Rumsfeld. O general Tommy Franks, chefe do Comando Central, continua encarregado de todas as forças norte-americanas e aliadas no Iraque e no restante do Golfo Pérsico.
(Com informações da Associated Press)





