13/05/2003 14h02 – Atualizado em 13/05/2003 14h02
GENEBRA, Suíça — A falta de verbas ameaça uma campanha global para erradicar a poliomielite até 2005, declararam autoridades de saúde nesta terça-feira, lembrando que a doença é detectada atualmente em apenas sete países.
São necessários 275 milhões de dólares, incluindo 33 milhões de dólares até setembro, para concluir a maior campanha mundial de saúde já empreendida, de acordo com a Iniciativa de Erradicação Global da Pólio.
Programas de imunização estão sendo reduzidos e se concentrarão em sete países endêmicos – Afeganistão, Egito, Índia, Níger, Nigéria, Paquistão e Somália – e em seis com alto risco de reincidência – Angola, Bangladesh, Etiópia, Nepal, República Democrática do Congo e Sudão -, informou a nota.
A campanha, iniciada em 1988, é uma parceria entre a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Rotary International e o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, dos Estados Unidos.
“A iniciativa enfrenta uma ameaça financeira muito séria”, alertou Carl Tinstman, do Unicef. “Seria catastrófico, não apenas para o combate à pólio, mas para futuras iniciativas de saúde pública se não conseguirmos concluir essa”.
A primeira doença a ser erradicada foi a varíola, em 1979.
Daniel Tarantola, um dos diretores da OMS, declarou: “Nós não temos intenção de descontinuar a imunização contra a pólio enquanto o último caso não for comprovado e a transmissão erradicada”.
“Se tivermos os recursos, poderemos fazer isso até 2005,” acrescentou.
O vírus da pólio, que causa uma doença altamente infecciosa e pode levar à paralisia total em horas, foi eliminado em 209 países e territórios. Mas continua infectando especialmente na Nigéria e na Índia.
“Há um risco de retorno se baixarmos nossa guarda nesses países. Portanto precisamos combatê-lo”, observou Tarantola.
Tinstman, do Unicef, disse que mesmo depois de a transmissão do vírus ser contida, o trabalho de erradicação levará anos para ser concluído.
“Nós temos que ter a certeza de que, uma vez erradicada, a pólio continue erradicada, e garantir que o vírus não escape de laboratórios ou das indústrias fabricantes de vacina e retorne ao meio ambiente, fazendo mais vítimas”, completou.
(Com informações da Reuters)






