06/09/2004 08h50 – Atualizado em 06/09/2004 08h50
Vão dizer que o adversário, a Bolívia, era fraco demais. Vão dizer que a Seleção Brasileira perdeu uma oportunidade e tanto de dar uma goleada histórica. Pouco importa. Bastou só o primeiro tempo para Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Roberto Carlos, Juninho & Cia., sob a batuta do técnico Carlos Alberto Parreira, darem exibição de gala para arrancar, no Morumbi lotado, a vitória de 3 a 1 – gols de Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho (de pênalti) e Adriano, com Cristaldo descontando para a Bolívia. Que mantém o Brasil na liderança nas Eliminatórias da Copa de 2006, com 16 pontos ganhos, e a eterna rival, a Argentina, na vice-liderança, com um ponto a menos.
Na verdade, bastaram 50 segundos para a vitória ser sacramentada. E para Ronaldinho, na sua estréia no Morumbi com a camisa da Seleção Brasileira, marcar seu primeiro gol no estádio. Quebrando logo o receio que havia de o torcedor paulista repetir os gestos na vitória sobre a Colômbia, em 2000, quando jogou até bandeirinhas.
Mas não foi só isso. Ronaldinho fez uma das melhores atuações com a camisa da Seleção. A presença da namorada, a modelo Daniella Ciccarelli, no estádio, parece estar inspirando mais o atacante. Rápido nos dribles e nas arrancadas, inteligente nas tabelinhas, pode até ter pecado às vezes pelo individualismo. Mas craque tem dessas coisas.
Antes do primeiro minuto, Ronaldinho foi mais que rápido. Foi perspicaz para ver que a cabeçada de Edu sairia sob medida para a sua perna direita. Ajeitou-a para bater na volta do quique da bola, sem defesa. A Bolívia, que veio moldada para a retranca total, ficou aturdida diante da euforia que tomou conta das arquibancadas e não demorou a tomar o segundo. Roberto Carlos cobrou falta, que bateu em Roque Júnior na área. O zagueiro girou e sofreu pênalti. Que Ronaldinho Gaúcho, aos 12, colocou com precisão no canto direito de Fernández, que quase a tocou.
O camisa 10, ao lado de Ronaldinho, era o grande regente do espetáculo da Seleção Brasileira. Trocava passes, tabelinhas, jogadas de efeito com Ronaldinho, Adriano, Roberto Carlos, Juninho, Edu. Aos 36 minutos, o reconhecimento da torcida veio nos gritos de ”olé”. A Seleção se inspirou e, após seqüência magistral de troca de passes, Ronaldinho Gaúcho, por cobertura, quase pôs o Morumbi abaixo.
O show continuava e, aos 43, Ronaldinho Gaúcho centrou na medida para Adriano dar um pulo de gato e, quase no 52º andar, tocar de cabeça no fundo das redes, dando fecho de ouro ao primeiro tempo.
O segundo começou com acidente aos três minutos. Cristaldo bateu, a bola desviou em Edmílson e tirou Júlio César do lance: 3 a 1. Parreira tirou Ronaldinho Gaúcho e Juninho. O ritmo caiu. Mesmo assim, Ronaldinho continuou fazendo das suas com Adriano e Roberto Carlos. Ou em solos, quando deu drible por baixo das pernas de Sanchez que valeu ingresso. O goleiro boliviano Fernández evitou mais uns três gols. Robinho entrou no lugar de Edu para dar mais graça. Os 45 minutos finais foram sem gols do Brasil, mas com futebol bonito. O primeiro tempo ainda estava na cabeça dos 56 mil torcedores, que brindaram com palmas no fim o show da Seleção.
Fonte:JB online





