25/03/2003 16h54 – Atualizado em 25/03/2003 16h54
Voluntários egípcios estão viajando ao Iraque para lutar contra o que consideram tropas invasoras.
Segundo informações publicadas pelo jornal libanês Al Zaman, cerca de 1,4 mil egípcios teriam conseguido visto de entrada no Iraque desde que a guerra começou.
Funcionários da embaixada do Iraque no Cairo negaram a informação, mas, em apenas uma hora, a equipe da BBC encontrou 15 egípcios na porta da embaixada que disseram ter conseguido o visto para entrar no Iraque com o objetivo de participar da guerra.
Na Jordânia, que faz fronteira com o Iraque, a guerra está levando exilados iraquianos, que escaparam justamente do regime de Saddam Hussein, a voltarem para defender o país.
Jihad
Segundo a agência de notícias Associated Press, o porta-voz do consulado do Iraque na Jordânia, Jawad al-Ali, disse que a missão diplomática emitiu 3 mil vistos temporários para exilados iraquianos nos últimos três dias.
O porta-voz teria dito ainda que todos afirmaram ter a intenção de lutar ao lado do povo iraquiano.
O empresário egípcio Abu Hassassin, de 42 anos, resolveu deixar a família no Cairo para lutar no Iraque e disse que o sentimento de “irmandade árabe muçulmana” explica a decisão.
“Eu quero lutar contra os invasores em defesa dos meus irmãos iraquianos. A Jihad é mais importante do que a minha família”, disse o empresário.
“Essa guerra é um ataque contra nossa terra, nossa religião. Vou defender minha dignidade, a dignidade do povo árabe”, acrescentou o egípcio, após conseguir o visto na embaixada do Iraque no Cairo.
Um estudante de 17 anos também havia conseguido o visto e disse estar disposto a morrer defendendo o Iraque.
“Os muçulmanos têm a obrigação de lutar. Não tenho medo de morrer. Se não fizermos nada, seremos os próximos”, disse o jovem, que pediu para não ser identificado por temer a reação do governo egípcio.
Abismo
A tropa de voluntários egípcios que está se formando desde que a guerra começou é um reflexo do abismo entre o governo e população.
De um lado, o presidente Hosni Mubarak tenta manter seus interesses de aliado estratégico de Washington na região.
De outro, a população protesta diariamente nas ruas contra a guerra e as políticas americanas para o Oriente Médio.
O carpinteiro Tamer Abdel Nasr, de 20 anos, disse querer lutar ao lado dos iraquianos, mas temer a reação do governo.
“Eu quero lutar, mas o governo proíbe, não quer que egípcios se envolvam na guerra”, disse Tamer.
“O Egito ganha muito dinheiro dos Estados Unidos e não quer arriscar perder isso”, acrescentou Mohammad Shaffy, de 22 anos, colega de trabalho de Tamer.
O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda financeira dos Estados Unidos no mundo, atrás apenas de Israel.
O país recebe anualmente US$ 2 bilhões, que representam a principal fonte de receitas da economia egípcia.



