31/12/2002 08h53 – Atualizado em 31/12/2002 08h53
NOVA YORK – A menina recém-nascida que seria o primeiro clone humano criado em laboratório irá para casa com seus pais nesta segunda-feira, segundo Brigitte Boisselier, cientista e principal executiva da empresa que teria realizado a clonagem, a Clonaid.
A menina, de 3,5 quilos e que está sendo chamada de “Eva”, não teve sua residência revelada. Boisselier alegou preocupações com a privacidade do bebê e de seus pais para manter em segredo o endereço.
“Espero que eu possa revelar tudo em breve”, disse Boisselier à CNN. A cientista já afirmou que a mãe do bebê é uma mulher de 31 anos, de cidadania norte-americana.
Um especialista independente vai colher amostras genéticas de Eva e de sua mãe esta semana para realizar testes que possam provar se a menina é mesmo um clone de sua mãe, segundo Boisselier.
“O especialista só será revelado depois que tiver colhido as amostras para que não seja seguido ao lugar em que os pais estão vivendo”, explicou.
O especialista foi selecionado pelo correspondente de Ciência da rede de televisão ABC, Michael Guillen, que sugeriu que a Clonaid permitisse que alguém neutro verificasse o processo.
Os pais decidirão se terceiros podem examinar o bebê para confirmar os resultados, de acordo com Brigitte Boisselier.
A Clonaid é uma empresa custeada por uma seita religiosa chamada Os Raelianos, que acreditam que extraterrestres criaram a vida na Terra por meio de engenharia genética. Boisselier anunciou na última sexta-feira que o primeiro clone humano criado pela empresa – Eva – havia nascido.
O anúncio foi recebido com muitas críticas, principalmente porque outros mamíferos clonados apresentaram sérias anomalias no nascimento ou desenvolveram problemas de saúde mais tarde.
No sábado, o Vaticano condenou o anúncio da clonagem, dizendo que o mesmo exibe uma “mentalidade brutal” em que falta “consideração ética”.
A Casa Branca também criticou a suposta clonagem.
Boisselier disse que está disposta a apresentar todas as pesquisas e evidências do processo de clonagem para acabar com as dúvidas sobre o sucesso do procedimento.
Por outro lado, a cientista reclamou que estão fazendo com a Clonaid o que não fizeram com outras empresas, que não tiveram que entregar provas de seu trabalho.
Ela disse que a revelação destas evidências mostraria também o “truque” que existe por trás da clonagem humana.
Em janeiro, segundo Boisselier, a Clonaid planeja realizar mais 20 implantações de clones humanos. Na ocasião, um especialista independente poderá assistir a todo o processo.
“Isso é o mínimo que posso fazer, mas não posso divulgar todas as minhas anotações”, disse Boisselier.
Eva, supostamente, é o primeiro bebê nascido de 10 implantações que a Clonaid fez este ano. Cinco fracassaram. O segundo bebê clonado vai nascer na semana que vem, segundo a diretora da Clonaid.
“Até agora, realmente, não há indicações de problemas, e eu realmente acredito que este segundo bebê será como Eva, sem problemas”, disse ela.
Quando questionada sobre os resultados imperfeitos da clonagem de animais, Boisselier disse que o procedimento da Clonaid não pode ser comparado.
Os problemas com a clonagem de animais são resultado de procedimentos específicos que aqueles cientistas adotaram para reproduzir os animais, e não do processo de clonagem em si, segundo Boisselier.
“Somos pessoas sérias e responsáveis, lidando com seres humanos. Estamos oferecendo a alguns pais o direito de a escolha de ter uma criança com seus próprios genes”, alegou.
Boisselier afirmou que se, no meio do processo de clonagem, os cientistas da Clonaid detectarem anormalidades ou deformidades na criança, o feto será abortado.
“Mas, pelo que vimos, não existe isso”, afirmou. “Houve alguns abortos no início das gestações, como acontece na fertilização in vitro, mas não surgiram problemas nem defeitos na gestação”.
Fonte: CNN