17/12/2002 15h43 – Atualizado em 17/12/2002 15h43
A produção industrial no mês de outubro cresceu em dez dos doze locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), frente ao mesmo período do ano passado, o que, na avaliação do Instituto, mostra que a atividade continua apresentando sinais de recuperação. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, em relação a outubro de 2001, Espírito Santo (22,2%), Rio de Janeiro (20,2%), Pernambuco (12,9%) e Minas Gerais (9,0%) se destacaram com taxas superiores à média nacional (8,9%). Na mesma comparação, também cresceram Rio Grande do Sul (8,1%), Paraná (6,4%), região Nordeste (5,8%), São Paulo (5,0%), região Sul (4,4%) e Ceará (0,2%); enquanto Santa Catarina (-4,7%) e Bahia (-1,3%) tiveram queda na produção.
Para o IBGE, o desempenho das dez indústrias que apresentaram taxas positivas nesse mês é reflexo de dois fatos. O primeiro é a fraca base de comparação, já que em outubro de 2001 os resultados da indústria brasileira foram influenciados por vários problemas, como o racionamento de energia e a desaceleração da economia mundial; e o segundo é o bom desempenho dos setores produtores de petróleo, gás e seus derivados, da agroindústria e de outros voltados para o mercado externo, que vêm sustentando o ritmo da produção industrial em 2002.
Quanto aos resultados acumulados para o período janeiro-outubro, Rio de Janeiro (11,6%) e Espírito Santo (8,7%) continuaram na liderança do desempenho industrial, prosseguindo com os seus crescimentos apoiados, sobretudo, na extração de petróleo e gás e na fabricação de celulose. Também acima da marca de 1,9% de aumento assinalada para o total do país, ficou a indústria gaúcha (4,1%). Em seguida vêm as da região Sul (1,6%), Paraná (0,9%) e Ceará (0,1%). As quedas mais acentuadas foram observadas em São Paulo (-2,1%), Pernambuco (-2,3%), e Santa Catarina (-2,7%). Houve queda também nos resultados da Bahia (-1,4%) e região Nordeste (-1,6%).
Apesquisa revela que, após cinco meses de queda, o indicador mensal de São Paulo voltou a crescer (5,0%). Por outro lado, tanto o acumulado no ano, quanto o acumulado nos últimos 12 meses, caíram 2,1%. O resultado de outubro, segundo o IBGE, foi o melhor dos últimos 17 meses, superado apenas pelo mês de maio do ano passado (6,9%).
Na divisão por segmentos industriais, grande parte desta expansão pode ser atribuída a cinco ramos: material de transporte (21,4%), metalúrgica (15,5%); produtos alimentares (13,2%); mecânica (9,4%) e química (2,0%). A produção acumulada no ano continuou negativa (-2,1%), ensaiando ligeira recuperação dos níveis de queda frente aos meses anteriores. Dos 19 segmentos industriais, oito cresceram. Os 11 restantes pressionaram negativamente a taxa global, com destaque para material elétrico e de comunicações (-21,2%).
Em outubro de 2001, os principais indicadores industriais do estado do Espírito Santo foram positivos, sendo que o indicador mensal foi o que registrou o maior crescimento (22,2%), resultando em impactos significativos nas comparações acumuladas. No acumulado no ano, a produção aumentou 8,7% e nos últimos 12 meses, 6,0%.
Segundo a pesquisa, desde outubro de 1994 (30,7%), a indústria capixaba não experimentava expansão tão elevada. A extrativa mineral, com 35,4% de crescimento, é quem responde pela maior parcela dessa expansão. O excelente resultado se deve ao aumento da produção de petróleo bruto, que nos últimos meses vem se firmando como o principal produto deste setor, superando, inclusive, o tradicional minério de ferro.
Já o Rio de Janeiro apresentou o décimo resultado positivo consecutivo na comparação outubro de 2002/outubro de 2001. Nos indicadores para períodos mais abrangentes, a indústria fluminense também obteve resultados positivos: 11,6% no acumulado do ano e 9,1% nos últimos 12 meses. Na comparação com outubro de 2001, o crescimento de 20,2% é determinado pelo desempenho da extrativa mineral (32,6%).
A indústria de transformação também registra um crescimento na produção (7,5%), como reflexo de expansões em 10 dos 15 segmentos pesquisados, com destaque para a influência positiva da química (6,8%) e de produtos alimentares (28,4%). Em contrapartida, os principais impactos negativos na formação da taxa global vieram de vestuário e calçados (-6,2%) e matérias plásticas (-7,4%).
A produção industrial mineira registrou 9,0% de crescimento em outubro de 2002, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o terceiro aumento consecutivo e seu melhor resultado dos últimos 19 meses. Doze dos 16 ramos pesquisados apresentaram crescimento: a metalúrgica (13,7%) registrou sua melhor performance dos últimos dois anos e continua sendo o carro chefe da produção local. A seguir vêm papel e papelão (62,1%), química (5,0%); material de transporte (8,0%); e têxtil (11,3%).
Em outubro de 2002, as indústrias de Santa Catarina (-4,7%) e da Bahia (-1,3%) tiveram queda na produção. Em Santa Catarina, a pesquisa mostra que 8 setores diminuíram a produção, sendo que a principal contribuição negativa foi de material elétrico e de comunicações (-46,2%), seguido de vestuário (-14,4%). Já na Bahia quatro dos 12 gêneros pesquisados tiveram queda na produção, sendo que os mais determinantes foram metalúrgico (-28,5%) e o extrativo mineral (-5,0%).
A indústria do Nordeste apresentou, em outubro, crescimento de 5,8% em relação ao igual mês do ano anterior, o quarto aumento consecutivo neste tipo de comparação. Os indicadores acumulado no ano e nos últimos doze meses assinalaram, respectivamente, quedas de 1,6% e de 2,0%.Na comparação com outubro de 2001, dez dos 15 gêneros pesquisados tiveram aumento na produção.
A indústria química (13,1%) e a de produtos alimentares (12,9%) foram as que mais influenciaram positivamente, enquanto que a indústria metalúrgica (-13,3%) representou o maior impacto negativo na formação da taxa global. No acumulado janeiro-outubro, a taxa de -1,6% foi conseqüência do desempenho negativo de nove dos 15 gêneros pesquisados. As principais influências negativas foram da metalúrgica (-9,5%), acompanhada por minerais não-metálicos (-7,0%), extrativa mineral (-2,3%) e produtos alimentares (-2,8%). Em contraposição, o principal destaque positivo, em termos de participação, foi a indústria química com uma expansão de 2,6%.
Fonte: Agência Brasil